16 de março, 2006 - 05h03 GMT (02h03 Brasília)
O presidente do Equador, Alfredo Palacio, disse que os protestos que vêm sendo realizados há três dias por grupos indígenas têm o objetivo de criar caos e levar à derrubada de seu governo.
Em um pronunciamento na TV, Palacio - que assumiu o poder depois que Lucio Gutiérrez foi deposto no ano passado - fez um apelo para que os equatorianos "protejam a democracia".
O presidente deu a impressão de rejeitar o pedido dos manifestantes para que o país interrompa negociações sobre um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
Grupos indígenas dizem que o acordo com os Estados Unidos irá afetar a maneira como eles garantem o próprio sustento e estão exigindo que o assunto seja decidido em referendo.
Eles bloquearam estradas importantes do país com pneus em chamas, pedras e troncos de árvores.
Há relatos de que os bloqueios já tenham provocado uma queda no fornecimento de arroz à capital Quito e outras províncias.
Renúncia
Pelo menos seis pessoas foram presas e outras 14 ficaram levemente feridas em confrontos com as forças de segurança, segundo a polícia.
Antes do pronunciamento de Palacio, o ministro do Interior do Equador, Alfredo Castillo, havia renunciado alegando razões pessoais, mas também devido ao modo como o governo lidou com a crise.
Castillo é o terceiro ministro do Interior a renunciar em apenas 11 meses.
A atual crise em torno das negociações comerciais entre os dois países acontece depois de duas greves no setor petrolífero.
As negociações para o acordo de livre comércio entrarão em sua fase final no dia 23 de março.
Colômbia e Peru já assinaram acordos semelhantes com os Estados Unidos.