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15 de março, 2006 - 05h23 GMT (02h23 Brasília)

Abbas interrompe viagem por causa de ataque a cadeia

O líder palestino Mahmoud Abbas interrompeu uma viagem à Europa depois que a invasão de uma prisão palestina em Jericó, na Cisjordânia, provocou protestos violentos.

Agentes das forças de segurança israelenses disseram ter capturado vários prisioneiros durante a operação, entre eles o militante Ahmed Saadat, preso por envolvimento no assassino de um ministro isralense.

Abbas condenou o ataque, assim como observadores internacionais que monitoravam a cadeia mas acabaram deixando o local por causa da falta de segurança.

O líder palestino estava no primeiro dia de uma viagem que tinha o objetivo de garantir ajuda financeira para a Autoridade Palestina.

A visita era considerada importante, já que a União Européia é o maior doador de dinheiro para a Autoridade Palestina - a ajuda chega a U$ 340 milhões ao ano.

Mas desde a vitória do Hamas - que consta da lista de organizações terroristas da UE - nas eleições parlamentares, o bloco europeu vem reavaliando a sua posição.

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A invasão

A operação militar, que deixou dois mortos, teve início na manhã de terça-feira. Depois de horas de cerco, prisioneiros procurados por Israel se entregaram.

Israel disse que a ação seria necessária já que existiam indícios de que vários seriam libertados, entre eles Ahmed Saadt, líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).

Mahmoud Abbas disse recentemente que libertaria Saadat, eleito deputado em janeiro, se a FPLP assumisse a responsabilidade por sua segurança.

Saadat foi preso em 2002 por conexão com o assassinato do ministro do Turismo Rahavam Zeevi por atiradores da FPLP em 2001. O assassinato teria sido uma vingança contra Israel pela morte do antecessor de Saadat na liderança do grupo.

A FPLP afirmou que a invasão não "não passará sem retaliação"

Todas as facções palestinas apoiaram a realização de uma greve geral nesta quarta-feira.

Protestos
Conselho Britânico em Gaza
Manifestantes colocaram fogo no prédio do Conselho britânico em Gaza

Em Gaza e em Jericó, centenas de pessoas protestaram nas ruas, e oito estrangeiros foram seqüestrados por palestinos durante o dia.

Alguns foram depois libertados, mas há relatos de que um coreano e dois franceses ainda estariam sendo mantidos em cativeiro.

Na Faixa de Gaza, militantes incendiaram o prédio do Conselho Britânico e invadiram um prédio da União Européia.

Também em Gaza, a Cruz Vermelha Internacional confirmou que o diretor da organização na cidade foi seqüestrado.

A fronteira entre Gaza e o Egito foi fechada após a saída de monitores europeus que alegaram motivos de segurança.

Condenações

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, disse que a Autoridade Palestina ignorou os pedidos britânicos por garantias de segurança para os observadores.

A União Européia condenou as ações de israelenses e palestinos.

"Nós condenamos o ataque à prisão de Jericó por forças israelenses e também os seqüestros e atos de violência nos territórios palestinos", disse o presidente do parlamento europeu, Josep Borrell, em um comunicado.

Os europeus disseram a Abbas que a ajuda aos palestinos poderia ser cortada caso os ataques contra alvos europeus não parassem.

O bloco afirmou que a doação de 120 milhões de euros prometida no mês passada não seria afetada.