14 de março, 2006 - 19h32 GMT (16h32 Brasília)
Agentes das forças de segurança israelenses disseram ter capturado o militante Ahmed Saadat após a invasão de uma prisão palestina em Jericó, na Cisjordânia.
A operação militar, que deixou dois mortos, teve início na manhã desta terça-feira, depois que observadores americanos e britânicos deixaram a cadeia, alegando falta de segurança.
Depois de horas de cerco, Ahmed e outros prisioneiros procurados por Israel se entregaram.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou a invasão e disse que os carcereiros americanos e britânicos eram responsáveis pela segurança de Ahmed Saadat.
O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, disse que a Autoridade Palestina ignorou os pedidos britânicos por garantias de segurança para os observadores.
Em Gaza e em Jericó, centenas de pessoas protestaram nas ruas, e sete estrangeiros foram seqüestrados por palestinos durante o dia.
Na Faixa de Gaza, militantes incendiaram o prédio do Conselho Britânico e invadiram um prédio da União Européia.
Também em Gaza, a Cruz Vermelha Internacional confirmou que o diretor da organização na cidade foi seqüestrado.
A fronteira entre Gaza e o Egito foi fechada após a saída de monitores europeus que alegaram motivos de segurança.
A invasão
Israel disse que a ação seria necessária já que existiam indícios de que Saadat, eleito para o Parlamento palestino em janeiro, seria libertado.
Mahmoud Abbas disse recentemente que libertaria Saadat, eleito deputado em janeiro, se a FPLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina) assumisse a responsabilidade por sua segurança
Saadat foi preso em 2002 por conexão com o assassinato do ministro do Turismo Rahavam Zeevi por atiradores da FPLP em 2001.
O assassinato teria sido uma vingança contra Israel pela morte do antecessor de Saadat na liderança do grupo.
Ele foi posto sob custódia internacional em Jericó, mas a Suprema Corte de Justiça palestina havia ordenado recentemente a sua liberação, alegando que não existiriam provas suficientes para ligá-lo ao assassinato de Zeevi.
Um porta-voz do Exército de Israel disse que 182 pessoas foram retiradas da prisão para interrogatório, e pelo menos 26 ficaram feridas.