13 de março, 2006 - 15h32 GMT (12h32 Brasília)
O toxicólogo holandês Donald Uges, que há duas semanas examinou amostras do sangue do ex-presidente da antiga Iugoslávia, Slobodan Milosevic, disse ter encontrado traços de uma droga que pode ter neutralizado os medicamentos que ele tomava para o coração.
Especialistas ainda estão analisando amostras do sangue de Milosevic colhidas após sua morte, no sábado. Mas a declaração de Uges levanta dúvidas sobre o que teria provocado o ataque cardíaco que matou o ex-líder, comprovado na autópsia realizada no domingo.
O advogado de Milosevic, Zdenko Tomanovic, disse que o ex-presidente temia estar sendo envenenado.
Milosevic chegou a escrever sobre isso em uma carta ao governo da Rússia.
Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores russo confirmou ter recebido a carta dias antes da morte do ex-líder iugoslavo, na qual ele reclamava do "tratamento inadequado" que vinha recebendo dos médicos no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra, em Haia, e pedia para receber cuidados médicos em Moscou.
Antibiótico
Uges disse que fez os exames há duas semanas porque a pressão arterial de Milosevic se mantinha alta, apesar dos medicamentos que ele tomava.
O toxicólogo holandês disse ter encontrado traços de rifampicina, um antibiótico forte, usado para tratar tuberculose e hanseníase.
Segundo Uges, o ex-presidente iugoslavo teria tomado o remédio para conseguir "uma passagem só de ida para Moscou".
O resultado dos exames realizados no fim de semana são esperados para a terça-feira.
Funeral
O corpo do ex-líder iugoslavo deve ser entregue para sua família ainda nesta segunda-feira.
Os familiares querem que o funeral seja realizado na capital da Sérvia, Belgrado.
Mas o presidente sérvio, Boris Tadic, disse que a viúva e o filho de Milosevic correm o risco de ser presos se voltarem ao país. Atualmente eles estão exilados na Rússia.
Tadic disse ainda que um funeral oficial para Milosevic seria "totalmente inapropriado".
Autoridades da Sérvia e Montenegro temem que o enterro provoque uma demonstração de apoio dos partidários do ex-presidente.
Mas o Partido Socialista, ao qual Milosevic pertencia, disse que vai tentar derrubar a aliança governista caso o ex-líder não receba um funeral digno.
Slobodan Milosevic era acusado de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade pelo papel que teve liderando a Sérvia durante as guerras na Bósnia, na Croácia e no Kosovo, nos anos 90.