11 de março, 2006 - 03h52 GMT (00h52 Brasília)
O presidente americano, George W. Bush, afirmou que o impasse criado pelo programa nuclear do Irã representa uma "grave preocupação relativa à segurança nacional" para os Estados Unidos.
Bush fez as afirmações depois da ameaça feita pelo líder iraniano, de destruir Israel, e também pelo fato do governo americano acreditar que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares.
Bush afirmou que é essencial resolver estas questões diplomaticamente "para lidar com estas ameaças no presente".
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU se reuniram na sexta-feira para discutir o programa nuclear do Irã.
Embaixadores da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Rússia e China devem elaborar uma declaração particular para apresentar para o conselho na próxima semana.
E o chefe de Política Exterior da União Européia, Javier Solana, disse que a guerra de palavras entre o Irã e os Estados Unidos "não está de acordo com a diplomacia normal".
Solana lamentou o aumento da tensão entre os dois países, incluindo a ameaça do Irã de causar "dano e dor".
"Este tipo de declaração... é sempre muito exaltada. Não está de acordo com a diplomacia normal. Minha preocupação não é com tais comentários, mas com as reações que eles podem produzir", disse.
Solana também afirmou que não rejeita a possibilidade de sanções contra o Irã. Mas acrescentou que ainda há tempo para diplomacia e o povo europeu não quer transformar os iranianos em alvos.
Reunião em Viena
A decisão de levar o Irã ao Conselho de Segurança da ONU foi tomada depois de uma reunião de três dias da AIEA em Viena.
O conselho tem o poder de impor sanções, mas ainda não está claro se os membros com poder de veto vão concordar.
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse na quarta-feira que este tipo de medida não seria efetiva. "Não acho que sanções tenham jamais atingido o objetivo de resolver crises na história recente”, disse.
O Irã, por sua vez, afirma que tentou de tudo para chegar a um acordo, mas o processo diplomático foi "seqüestrado" pelos Estados Unidos.
"Não queremos confronto, mas se este é o desejo ou a política dos americanos, então a nação iraniana vai defender sua integridade e interesses nacionais", disse o embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh.
O Conselho de Segurança da ONU deve discutir a questão no começo da próxima semana.