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11 de março, 2006 - 05h48 GMT (02h48 Brasília)

Paramilitares entregam armas na Colômbia

Cerca de 2 mil paramilitares de direita na Colômbia entregaram suas armas em uma cerimônia marcando a desmobilização de uma última grande unidade do grupo como parte do processo de paz.

O comandante do grupo, conhecido como Jorge Cuarent, é procurado pelos Estados Unidos por tráfico de drogas, mas não deve ser extraditado enquanto o processo de paz continua no país.

No total, pelo menos 26 mil paramilitares entregaram suas armas em troca de benefícios que incluem penas de prisão reduzidas.

O presidente Álvaro Uribe afirma que este é o melhor caminho para assegurar a paz no país.

Mas os críticos afirmam que crimes graves não serão punidos e os paramilitares podem conseguir novas armas facilmente ou tentar entrar na política.

O desarmamento marca o fim das negociações entre o governo e os paramilitares das Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia (AUC). Mas, segundo o correspondente da BBC Jeremy McDermott, poucos celebraram a cerimônia.

A estrutura política, econômica e de tráfico de drogas do grupo permanece intacta e há provas de que novos grupos paramilitares estão surgindo e antigas facções da AUC continuam operando, segundo McDermott.

Poucos colombianos acreditam que o desarmamento poderá facilitar o fim dos 42 anos de conflito no país.

A AUC foi criada para proteger fazendas e ranchos de extorsões e seqüestros realizados por guerrilhas marxistas, mas o grupo foi tomado por traficantes de drogas.

Alerta

Jorge Cuarent, cujo nome real é Rodrigo Tovar Pupo, fez um alerta aos rebeldes de esquerda durante a cerimônia, que não se juntaram ao processo de paz, durante a cerimônia.

"Nós, o povo da Colômbia, não vamos perdoar os rebeldes se eles não caminharem em direção à paz", disse em comentários transmitidos pela televisão.

Diplomatas estrangeiros viajaram 690 quilômetros para o norte da capital, Bogotá, para participar da cerimônia no vilarejo de La Mesa.

A legislação para a desmobilização da AUC, criada por Uribe, foi condenada pela ONU e por organizações não governamentais, pois oferece, na prática, imunidade, até mesmo por atrocidades que podem ser consideradas como crime contra a humanidade.

Nas eleições para o Congresso colombiano, neste fim de semana, os candidatos patrocinados devem conseguir o controle de pelo menos 30% das cadeiras.