08 de março, 2006 - 02h23 GMT (23h23 Brasília)
Os Estados Unidos e a Rússia rejeitaram uma proposta do Irã de permitir que o país tenha seu próprio programa de enriquecimento de urânio.
O Irã sugeriu que poderia receber uma permissão para enriquecer pequenas quantidades de urânio para pesquisas e importar a maior parte de seu combustível nuclear da Rússia.
Mas os Estados Unidos rejeitam qualquer possibilidade de enriquecimento de urânio no Irã.
Falando em Washington, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, também rejeitou a proposta.
Lavrov afirmou que a proposta do governo russo, para que o Irã enriquecesse urânio na Rússia, depende do governo do Irã obedecer totalmente aos requerimentos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A AIEA quer que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio. Sua diretoria está reunida em Viena, na Áustria, para discutir o caso iraniano.
'Risco'
Na semana passada o governo do Irã sugeriu um novo acordo, no qual teria permissão de enriquecer pequenas quantidades de urânio em seu território para uso em pesquisa e, em troca, aceitaria a proposta da Rússia.
Mas, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que o único apoio que ela poderia apoiar é a proposta original russa.
"Esta não é uma questão relativa ao direito do Irã de obter energia nuclear para fins civis. É uma questão relativa à necessidade de haver uma forma de fornecer energia nuclear para fins civis que não traga o risco de proliferação", disse Rice depois de uma reunião com Sergei Lavrov.
Países ocidentais acreditam que o Irã quer desenvolver armas nucleares, o que o Irã nega.
O governo iraniano insiste que tem direito de desenvolver seu setor nuclear para produzir energia para fins pacíficos.
Depois de três anos de negociações entre o Irã e a União Européia, nenhum resultado mais importante foi alcançado e o Irã retomou o enriquecimento de urânio em janeiro, depois de uma paralisação de dois anos.
China
A China pediu nesta terça-feira para que o Irã coopere a AIEA para por fim à polêmica sobre o programa nuclear do país.
O ministro das Relações Exteriores da China, Li Zhaoxing, disse que ainda há possibilidade de negociação.
No momento, a AIEA discute na capital da Áustria, Viena, onde está sediada, a possibilidade de levar o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que, por sua vez, pode impor sanções ao país.
A China pediu para que todos os lados envolvidos mantenham a calma.
“Esperamos que o Irã coopere ativamente com a AIEA e adote medidas positivas para o aumento da confiança”, disse Zhaoxing.
“Ainda há tempo para uma solução dentro do cronograma da AIEA.”
Após a reunião da AIEA na segunda-feira, o seu diretor-geral, Mohamed ElBaradei, disse acreditar que um acordo ainda é possível.