06 de março, 2006 - 15h36 GMT (12h36 Brasília)
O presidente do Iraque, Jalal Talabani, anunciou, nesta segunda-feira, que o Parlamento do país vai se reunir pela primeira vez no próximo domingo, começando o processo de seleção dos novos líderes do país.
Os parlamentares foram eleitos em dezembro, mas desentendimentos entre os políticos sobre o novo governo adiaram a primeira sessão do Parlamento.
A sessão marca o início de um processo de 60 dias previsto pela Constituição iraquiana para que os parlamentares escolham o novo primeiro-ministro, o presidente e a equipe de ministros.
O início do processo ocorre em meio a mais violência, com a morte de seis pessoas em explosões nesta segunda-feira.
Santuário
"Vamos marcar hoje a sessão para o 12º dia deste mês, porque é o último dia para a sessão do novo Parlamento, de acordo com a Constituição", disse Talabani.
O resultado da eleição do Iraque foi promulgado no dia 12 de fevereiro e a Constituição determina que a primeira sessão do Parlamento seja realizada em um mês a partir dessa data.
Os líderes políticos no Iraque ainda estão profundamente divididos, principalmente em relação a quem será o primeiro-ministro.
A indicação de Ibrahim Al-Jaafari pela maioria formada pelo bloco xiita provocou forte oposição de líderes sunitas, curdos e seculares.
O aumento da tensão sectária, provocado pelo ataque a bomba do santuário xiita em Samarra, no dia 22 de fevereiro, aprofundou a crise. Desde esse ataque, mais de 400 pessoas morreram em episódios de violência.
A principal aliança xiita tem dez cadeiras a menos do que a maioria necessária no Parlamento e as divisões sectárias prejudicaram as iniciativas para formar um governo de unidade nacional.
Lideranças sunitas acusam Jaafari de não ter conseguido conter a violência desde o ataque em Samarra.
Khalaf Al-Olayan, líder do maior bloco sunita no Parlamento, disse que o Iraque "foi de mal a pior" sob a liderança de Jaafari.
Os curdos dizem que Jaafari se opõe ao seu controle da região de Kirkuk, rica em petróleo, e se recusaram a cooperar.
Segundo fontes, é provável que haja acordo apenas sobre o cargo de presidente do Parlamento.