05 de março, 2006 - 15h59 GMT (12h59 Brasília)
O Irã ameaçou neste domingo iniciar o enriquecimento de urânio em escala industrial se seu programa nuclear for levado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Se os Estados Unidos e seus aliados 'desejarem usar força', o Irã irá 'buscar seu próprio caminho', segundo o principal negociador da questão nuclear iraniana, Ali Larijani.
Os Estados Unidos e a União Européia acusam o Irã de desenvolver secretamente armas nucleares, mas o país diz que seu programa é pacífico e pretende apenas gerar energia.
Larijani disse que o Irã não tem interesse em usar o preço do petróleo – o país é um dos maiores produtores do mundo - como instrumento de barganha na questão.
Gás de urânio
Ele declarou, entretanto, que se ações forem tomadas contra o Irã, isso inevitavelmente afetaria o preço do petróleo mundial.
Um encontro do órgão de fiscalização nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês), está marcado para a segunda-feira na capital da Áustria, Viena.
Nele será discutido um relatório, vazado para a imprensa na semana passada, que afirma que os iranianos já iniciaram a circulação de gás de urânio em suas centrífugas.
Este é o primeiro passo no processo que pode produzir combustível para reatores nucleares ou material para bombas.
Sanções?
O relatório também acusa o Irã de não aceitar inspeções mais detalhadas em suas instalações, o que vai contra o tratado de não proliferação nuclear assinado pelo país.
A IAEA deve confirmar a decisão de levar o Irã ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, que por sua vez, pode impor sanções ao país.
Qualquer decisão, no entanto, deve ser aprovada por unanimidade pelos membros do CS e a Rússia e a China já se declararam contrárias às sanções.
Ocorreram, neste domingo, manifestações em várias partes do Irã em apoio ao programa nuclear do país.