06 de março, 2006 - 00h17 GMT (21h17 Brasília)
O embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton, disse que o Irã precisa entender que vai confrontar-se com duras e dolorosas conseqüências se não levar em conta as preocupações da comunidade internacional em relação ao seu programa nuclear.
O alerta foi feito na véspera da reunião da Agência Internacional de Energia Atômica, que pode referir o Irã ao Conselho de Segurança para apreciação de possíveis sanções econômicas.
Bolton ressaltou que vai usar todos os instrumentos à sua disposição para confrontar o que chamou de ameaça representada pelo Irã.
Mais cedo, o principal negociador iraniano, Ali Larijani, reiterou que o país não vai abrir mão de seu direito soberano de realizar pesquisas nucleares com fins pacíficos. E acrescentou que o Irã irá iniciar o enriquecimento de urânio em larga escala se for referido ao Conselho de Segurança.
Força
Se os Estados Unidos e seus aliados "desejarem usar força", o Irã irá "buscar seu próprio caminho", disse Larijani.
Os Estados Unidos e a União Européia acusam o Irã de desenvolver secretamente armas nucleares, mas o país diz que seu programa é pacífico e pretende apenas gerar energia.
Larijani disse que o Irã não tem interesse em usar o preço do petróleo como instrumento de barganha na questão, mas declarou que se ações forem tomadas contra o Irã, isto inevitavelmente afetará o preço do petróleo mundial.
No encontro da AIEA em Viena, nesta segunda-feira, será discutido o relatório vazado para a imprensa na semana passada que afirma que os iranianos já iniciaram a circulação de gás de urânio em suas centrífugas.
Este é o primeiro passo no processo que pode produzir combustível para reatores nucleares ou material para bombas.
O relatório da AIEA também acusa o Irã de não aceitar inspeções mais detalhadas em suas instalações, o que vai contra o Tratado de Não-Proliferação nuclear assinado pelo país.
A IAEA deve confirmar a decisão de levar o Irã ao Conselho de Segurança, mas qualquer decisão do Conselho deve ser aprovada por unanimidade pelos membros permanentes e Rússia e China já se declararam contrárias à imposição de sanções.
Várias manifestações de apoio ao governo foram realizadas no domingo no Irã.