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05 de março, 2006 - 13h01 GMT (10h01 Brasília)

Hamas busca se distanciar da Al-Qaeda

Representantes do grupo militante palestino Hamas buscaram se distanciar das declarações do vice-líder da Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahri, que incitou o grupo a não reconhecer os acordos de paz que a Autoridade Palestina assinou com Israel.

Em entrevista à BBC, Mahmoud Ramahi, parlamentar do Hamas, disse que seu partido não pode ser influenciado pela Al-Qaeda.

Rahami enfatizou as diferenças entre Hamas e Al-Qaeda. Ele argumentou que o Hamas, que venceu as eleições palestina em janeiro, condenou os ataque da Al-Qaeda nos Estados Unidos, em Madri e em Londres, e que o grupo está comprometido a governar por meios pacíficos e democráticos.

Em vídeo transmitido pela estação de TV árabe Al-Jazeera, Al-Zawahri apelou ao Hamas para que "continue sua luta armada" e rejeite acordos assinados entre seus antecessores no governo e Israel.

Segundo Al-Zawahri, esses acordos são "acordos de rendição".

Farelos

Al-Zawahri também convocou os muçulmanos a boicotar os países europeus onde foram divulgadas as charges do profeta Maomé.

Ele apelou ainda para a realização de ataques semelhantes aos de Nova York, Madri e Londres, nos últimos anos.

Ele criticou os termos dos acordos de paz da Autoridade Palestina com Israel.

"Nenhum palestino tem o direito de dar um grão de solo", disse o número 2 da Al-Qaeda.

"Os seculares na Autoridade Palestina entregaram a Palestina em troca de farelos. Dar legitimidade a eles é contra o islamismo."

Osama Hamdan, representante do Hamas, disse à TV Al-Jazeera que não "há nada de errado (em oferecer conselhos), mas o que queremos é apoio da nação muçulmana", segundo a agência de notícia Reuters.

Ataques ao Ocidente

Em relação à publicação das charges, Al-Zawahri acusou o Ocidente de ter cometido blasfêmia deliberada e de ter dois pesos e duas medidas.

"Eles fizeram de propósito e continuam a faze-lo sem se deculpar, apesar de ninguém ter coragem de ofender os judeus ou desafiá-los com relação ao Holocausto, nem mesmo de insultar homossexuais," atacou Zawahri, pedindo que os muçulmanos boicotem os países em que as charges foram publicadas.

Zawahri disse ainda acreditar que as políticas dos países ocidentais são discriminatórias para os muçulmanos:

"Na França, um muçulmano não pode impedir sua filha de praticar sexo, porque ela é protegida pela lei. A mesma lei que a pune se ela cobrir seus cabelos," acusou.

Ele apelou por ataques contra países ocidentai e pediu o boicote de países pró-ocidente, como a Arábia Saudita, Jordânia, Egito, Paquistão e Tunísia.

O nº2 da Al-Qaeda incitou os ataques "à infra-estrutura econômica" de países ocidentais.