04 de março, 2006 - 03h33 GMT (00h33 Brasília)
O presidente americano, George W. Bush, chegou nesta sexta-feira ao Paquistão na etapa final de sua primeira viagem pelo sul da Ásia. Bush esteve na Índia, onde protestos deixaram pelo menos quatro mortos.
A reunião com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, está ocorrendo neste sábado e se concentrar no que o governo ameriano batizou de guerra contra o terrorismo e também no combate ao "islamismo radical", segundo Bush.
O avião de Bush pousou na base aérea de Chaklala, em Rawalpindi, perto da capital, Islamabad, na noite de sexta-feira.
A segurança do local foi aumentada, com armas antiaéreas instaladas nas colinas próximas à base, segundo informações. Depois do pouso, Bush e a primeira-dama, Laura, viajaram para a embaixada americana em Islamabad.
"Vou me reunir com o presidente Musharraf para discutir a cooperação vital do Paquistão na guerra contra o terror e com nossos esforços para encorajar o desenvolvimento político e econômico para que possamos diminuir a atração para o islamismo radical", disse Bush antes de sair da Índia na sexta-feira.
"Acredito que um Paquistão próspero e democrático será um parceiro leal dos Estados Unidos", acrescentou.
Protestos
Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Aamer Ahmed Khan a visita de Bush ocorre em um momento de turbulência para o presidente Musharraf.
Vários partidos conservadores islâmicos e organizações de estudantes reuniram manifestantes por todo o país em protestos contra os Estados Unidos, com vários dos manifestantes condenando também os países ocidentais pela publicação de charges satirizando o profeta Maomé.
A polícia teve que dispersar centenas de manifestantes em Rawalpindi. Alguns deles gritavam slogans como "morte aos Estados Unidos" e "vá para casa, assassino", durante o protesto.
Cerca de 300 estudantes também fizeram um protesto em Islamabad, queimando uma imagem do presidente Bush.
"Estamos protestando contra a vinda de Bush pois ele é odiado. Ele é o assassino de tantos inocentes, muitos muçulmanos inocentes", disse Javed Rahman, um dos manifestantes, à agência de notícias Associated Press.
Na Índia também ocorreram protestos. Quatro pessoas foram mortas em conflitos entre hindus e muçulmanos na cidade de Lucknow, em Uttar Pradesh, depois da passagem de Bush pelo país.
A violência começou com muçulmanos insatisfeitos com a visita de Bush, tentando convencer comerciantes hindus a fechar suas portas.
Apoio
Outra manifestação aconteceu na cidade de Hyderabad, cidade visitada por Bush no segundo dia da sua visita ao país.
Grupos muçulmanos e comunistas, em geral contra os conflitos do Iraque e do Afeganistão, estariam descontentes com a aproximação recente da Índia com os Estados Unidos.
As manifestações ocorridas na Índia reuniram dezenas de milhares mas ficaram abaixo dos milhões prometidos pelos organizadores.
Durante a visita de Bush, os Estados Unidos e a Índia finalizaram um acordo sobre energia nuclear que dá ao país asiático acesso à tecnologia nuclear civil americana.
O documento ainda precisa ser aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos.