03 de março, 2006 - 19h04 GMT (16h04 Brasília)
A Rússia apelou ao Hamas para se tranformar em uma organização política que reconheça o direito de Israel de existir e respeite os acordos de paz assinados com o país.
O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, fez o apelo durante um encontro nesta sexta-feira com os líderes do grupo militante palestino, em Moscou.
O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, disse que as conversas estão sendo abertas e construtivas.
No entanto, antes do encontro, ele havia descartado uma mudança na posição em relação ao Estado israelense.
"A questão do reconhecimento é uma questão decidida", disse Meshaal ao chegar a Moscou. "Nós não pretendemos reconhecer Israel."
O representante do Hamas também insistiu que Israel deve se retirar dos territórios ocupados em 1967, se quiser paz.
Acordo de Paz
Lavrov disse que a Rússia fará todo o possível para alcançar um acordo de paz no Oriente Médio e que respeita a escolha democrática do povo palestino que elegeu o Hamas.
As conversas marcam o afastamento da Rússia dos outros membros do chamado quarteto para a paz no Oriente Médio.
E foram duramente criticadas pelo governo israelense. Um ministro do país chamou a negociação de "uma punhalada nas costas".
A Europa e os Estados Unidos ainda consideram o Hamas como uma organização terrorista. O grupo realizou centenas de ataques contra alvos israelenses desde 1990.
Lavrov disse acreditar que "o Hamas não terá nenhum sério futuro, se o Hamas não mudar".
Meshaal respondeu que o Hamas tem interesse de que a Rússia "tenha um papel especial na questão palestina".
E disse esperar que "a Rússia proteja os direitos legítimos do povo palestino".
O presidente Vladimir Putin convidou o grupo a Moscou, mas não vai encontrar-se com os seus líderes.