02 de março, 2006 - 10h50 GMT (07h50 Brasília)
Os Estados Unidos e a Índia finalizaram um acordo sobre energia nuclear durante a visita do presidente George W. Bush a Nova Déli, segundo o governo indiano.
Pelo acordo, a Índia ganha acesso à tecnologia nuclear civil americana. O documento ainda precisa ser aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos.
Em Nova Déli, Bush participou de negociações com o primeiro-ministro Manmohan Singh.
Após negociações com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, Bush classificou o acordo com a Índia de “histórico”, mas disse que sua aprovação pelo Congresso talvez seja difícil.
A Índia não é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT, na sigla em inglês).
Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli, Sanjoy Majumder, o acordo poderá terminar com anos de isolamento da Índia sobre sua política nuclear.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, Mohammed ElBaradei se disse satisfeito com o acordo e acredita que ele vai dar um impulso aos esforços de não-proliferação.
A Grã-Bretanha e a França também elogiaram o acordo, enquanto que o Paquistão - o rival indiano regional - disse que quer ter o mesmo nível de cooperação com os Estados Unidos.
Apesar do presidente americano, George W Bush, ter dito que o acordo é "histórico", as reações não foram todas positivas em Nova Déli e em Washington e bush admitiu que não será fácil convencer o Congresso a ratificá-lo.
Sinais contraditórios
O correspondente da BBC, Jonathan Beale, em Wahsington, afirma que Bush tem uma briga pela frente e está sendo acusado de enviar sinais contraditórios no momento em que os Estados Unidos e seus aliados tentam limitar as ambições nucleares iranianas.
A Índia não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e pelo acordo, vai classificar 14 de suas 22 instalações nucleares como tendo fins pacíficos e civis e abri-las para inspeções.
Mas muitos defensores do Tratado acreditam que o acordo ignora o programa nuclear indiano. O Paquistão também teria bombas atômicas.
Para El Baradei, o acordo vai acabar com o isolamento nuclear da Índia e, portanto, ajudar aos esforços de não-proliferação.
Para ele, este acordo vai também ser "um passo importante para satisfazer as necessidades energéticas da Índia".
Para o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o acordo pode "representar um ganho para o regime de não-proliferação".
O presidente francês, Jacques Chirac, que assinou um acordo semelhante com a Índia no mês passado, disse que o acordo pode ajudar na luta contra o aquecimento global e de não-proliferação.
O acordo nuclear anunciado por Bush e Singh foi alvo de críticas tanto de opositores democratas quanto de republicanos. Para o deputado democrata Ed Markey, o acordo é um desastre e prejudica os esforços para conter as ambições nucleares de outros países, como o Irã, a Coréia do Norte e o próprio Paquistão.
Para o deputado republicano Ed Royce, o Congresso terá que analisar com cuidado as implicações do acordo.
Depois da Índia, Bush vai visitar o Paquistão, onde chega no sábado.
Cooperação econômica
O acordo nuclear havia sido fechado a princípio durante uma visita do primeiro-ministro indiano a Washington, em 2005.
Mas a finalização do acordo foi adiada devido à diferença nos planos para separar os programas nucleares civil e militar da Índia e a abertura de suas instalações nucleares para inspetores internacionais.
“Esse é um acordo necessário”, disse Bush após o encontro com Singh. “É um acordo que ajudará nossos dois povos. O Congresso precisa entender que é do nosso interesse econômico que a Índia tenha uma indústria de energia nuclear civil para ajudar a tirar a pressão da demanda global por energia.”