01 de março, 2006 - 18h40 GMT (15h40 Brasília)
O presidente americano, George W. Bush, fez uma visita surpresa ao Afeganistão nesta quarta-feira e elogiou o progresso da democracia no país.
Os Estados Unidos ajudaram a derrubar o regime do Talibã em 2001.
Bush disse ao presidente Hamid Karzai que seu país está "inspirando outros".
O presidente americano se disse confiante de que Osama Bin Laden será levado à justiça.
Apoio moral
Na visita, cujos preparativos foram mantidos em segredo por razões de segurança, Bush aproveitou a viagem que tinha marcada para a Índia e antecipou a ida para fazer sua primeira visita ao Afeganistão.
Bush chegou à base aérea americana de Bagram e foi levado de helicóptero para um encontro com Karzai no palácio presidencial.
Em uma entrevista coletiva com Karzai, Bush disse ao povo afegão que a democracia no país está se fortalecendo: "Vocês estão inspirando outros e a inspiração vai fazer com que outros exijam sua liberdade".
Sobre Bin Laden e o líder do Talibã, Mullah Omar, que estão sendo procurados há quatro anos sem sucesso, Bush disse que "não é uma questão sobre se eles serão levados à justiça, mas quando".
O presidente americano também citou o Irã, dizendo que se o país fabricar armas nucleares, esta seria "a coisa mais desestabilizadora que poderia acontecer na região".
Bush também falou a cerca de 500 militares americanos estacionados na base aérea de Bagram.
"Não vamos nunca nos deixar intimidar por criminosos e assassinos. Vamos vencer a guerra ao terror," disse Bush às tropas.
De acordo com o correspondente da BBC Jonathan Beale, que está acompanhando a viagem de Bush, apesar de o presidente americano ter passado apenas algumas horas no Afeganistão, ele espera que a visita seja vista como uma demonstração de apoio moral a Karzai.
Há cerca de 20 mil soldados americanos no Afeganistão, em busca de militantes da Al-Qaeda e do Talebã e cerca de 13 mil morreram em combate desde a queda do Talebã.
O vice-líder do Talebã, Mullah Abdullah Akhund, ridicularizou nesta quarta-feira o segredo em torno da visita de Bush.
"Se o presidente americano tivesse anunciado a visita com antecedência, os mujahedins do Talebã o teriam recebido com mísseis e ataques," disse Akhund à agência de notícias Reuters através de um telefone satélite de local desconhecido.
Do Afeganistão, Bush seguiu para a Índia onde deve finalizar um acordo para compartilhar tecnologia nuclear.
Milhares de muçulmanos indianos realizaram protestos nesta quarta em Nova Déli, contra a visita. Os manifestantes acusaram Bush de ser inimigo do Islã.
Protestos semelhantes aconteceram em Calcutá.
Depois da Índia, Bush deve seguir para o Paquistão. O presidente pretende pressionar Índia e Paquistão para resolverem a disputa em torno da região da Caxemira.