01 de março, 2006 - 01h30 GMT (22h30 Brasília)
Promotores no tribunal do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, apresentaram um memorando que mostraria a aprovação do ex-líder à execução de 148 xiitas.
Segundo os promotores, Saddam assinou o memorando para aprovar as mortes depois de uma tentativa frustrada de assassiná-lo em Dujail, em 1982.
A equipe de advogados de defesa voltou a comparecer ao tribunal depois de um boicote que durou um mês. Mas, dois advogados causaram novo tumulto, saindo da sessão quando o juiz recusou um pedido de adiamento.
O julgamento de Saddam Hussein foi retomado nesta terça-feira em Bagdá depois de duas semanas e foi cancelado até quarta-feira.
A retomada do julgamento foi marcada pela morte de pelo menos 60 pessoas em vários ataques com bombas em Bagdá, além de outro ataque a uma mesquita, no túmulo onde está sepultado o pai de Saddam Hussein na cidade de Tikrit.
Memorando
O promotor-chefe, Jaafar al-Moussawi, mostrou o memorando, datado de 14 de junho de 1984, em uma tela instalada na corte. O memorando teria a assinatura de Saddam Hussein aprovando as sentenças de morte de 148 iraquianos xiitas de Dujail.
Outro documento, datado dois dias antes, anunciava as sentenças de morte e teria sido assinado pelo outro réu, Awad al-Bandar.
"Nenhum dos réus (da cidade de Dujail) foram trazidos à corte. Seus depoimentos nunca foram gravados", disse Moussawi.
Antes, quando o tribunal foi retomado, a equipe de defesa entrou com uma moção para que o juiz chefe, Raouf Abdul Rahman, fosse desqualificado sob alegação de que ele seria influenciado, e também para a retirada do promotor chefe.
A equipe também pediu o adiamento do julgamento.
O juiz Rahman negou todos os pedidos, levando dois importantes advogados de defesa, Khalil al-Dulaimi e Khamis al-Obeidi, a se retirarem da sessão.
Mas o resto da equipe de defesa permaneceu e os dois advogados foram substituídos por outros, indicados pela corte.
Os réus ocuparam seus lugares em silêncio, o que constrastou com a postura de Saddam Hussein há duas semanas, quando gritou "abaixo Bush", e o ex-líder e seu meio irmão, Barzan Ibrahim al-Tikriti, discutiram com o juiz.
Mas, depois que os dois advogados de defesa se retiraram, Barzan al-Tikriti iniciou outra discussão acalorada com o juiz Rahman, afirmando que ele não queria ser representado pelo advogado de defesa apontado pela Justiça.
Até o momento o julgamento já contou com o depoimento de 26 testemunhas de acusação.
Os oito réus negam todas as acusações.