27 de fevereiro, 2006 - 11h13 GMT (08h13 Brasília)
Começa a ser julgado em Haia nesta segunda-feira o primeiro caso de um país acusado de genocídio. No banco dos réus está a Sérvia, acusada pela vizinha Bósnia de cometer os crimes durante a guerra na região no início da década de 90.
As autoridades bósnias alegam que os sérvios forçaram a saída de cidadãos bósnios de suas regiões e exterminaram milhares durante o conflito.
Belgrado nega que a intenção era eliminar os muçulmanos no leste da Bósnia e afirma que não existem provas para sustentar a acusação.
As audiências na Corte Internacional de Justiça devem ser realizadas até o dia 9 de maio, mas uma decisão não deve sair antes do fim do ano.
Srebrenica
O processo, aberto há 13 anos, deve se concentrar no massacre de Srebrenica, no qual pelo menos 7,5 mil homens e jovens bósnios muçulmanos foram mortos.
O episódio, ocorrido em 1995, já é considerado um genocídio pelo Tribunal Criminal Internacional para a ex-Iugoslávia.
De acordo com um dos advogados que defendem o caso da Bósnia, Phon van den Biesen, "eles realmente destruíram partes importantes de toda e qualquer cidade que seria relevante para um retorno da população não-sérvia".
"Portanto, a destruição realizada após o controle das cidades é enorme."
A Sérvia irá negar que o país – em vez de um grupo de indivíduos – tinha a intenção de acabar com a população muçulmana do leste da Bósnia.
De acordo com a correspondente da BBC em Haia Geraldine Coughan, se a Bósnia vencer o processo, o país deve reivindicar uma compensação financeira da Sérvia, que pode ser de bilhões de dólares.