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28 de fevereiro, 2006 - 00h13 GMT (21h13 Brasília)

Ministros da UE se desculpam por charges de Maomé

Os ministros das Relações Exteriores expressaram arrependimento pela publicação das charges do profeta Maomé publicadas em jornais europeus e consideradas ofensivas pelos muçulmanos.

Em uma reunião em Bruxelas eles também concordaram em adotar uma ação comum para reatar os laços com as nações muçulmanas.

A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Ursula Plassnik, disse que a União Européia vai buscar o diálogo e o entendimento mútuo.

Os ministros defenderam, no entanto, a liberdade de expressão e condenaram a resposta violenta à publicação das charges.

Responsabilidades

"O Conselho (dos estados europeus) expressa sua profunda preocupação pelos eventos que se seguem à publicação de charges em vários jornais europeus e outros meios de comunicação", disse o comunicado dos ministros.

Ainda segundo o comunicado, o Conselho "reconhece e expressa arrependimento que estas charges tenham sido consideradas ofensivas e dolorosas pelos muçulmanos em todo o mundo".

Os diplomatas disseram que pelo menos um país - a Holanda - se opôs em princípio à decisão de expressar arrependimento.

O governo Tcheco também se disse preocupado com a possibilidade de que o pedido de desculpas pudesse minar a liberdade da mídia.

Mas o consenso foi de reafirmar que a liberdade de expressão é um direito fundamental e ressaltar que liberdades "vêm com responsabilidades".

"A liberdade de expressão deveria ser exercitada em um espírito de respeito pelas crenças religiosas e outras crenças e convicções, a tolerância e o respeito universais são valores que deveríamos ver positivamente".

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Per Stig Moeller, disse que está na hora de seguir em frente. A Dinamarca foi o primeiro país a publicar as charges polêmicas.

"É importante encerrar o assunto para podermos seguir em frente".

A Dinamarca tentou aplacar a raiva dos muçulmanos ao prometer realizar uma conferência religiosa, doar dinheiro para a agência da ONU que luta contra preconceitos e sediar uma exposição cultural muçulmana.

Sobre o boicote aos produtos dinamarqueses por muçulmanos, os ministros disseram que "boicotes contra membros individuais são inaceitáveis".