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24 de fevereiro, 2006 - 14h06 GMT (11h06 Brasília)

Líderes xiitas e sunitas pedem moderação

Líderes xiitas e sunitas no Iraque e no exterior usaram as orações de sexta-feira para pedir calma em meio às tensões criadas pelo ataque que praticamente destruiu o santuário de al-Askari, em Samarra, considerado um dos locais mais sagrados para os muçulmanos xiitas.

Os clérigos fizeram apelos para unidade e moderação, apesar da presença reduzida dos fiéis nas mesquitas de Bagdá e das três províncias em que foi imposto o toque de recolher nesta sexta-feira.

As ruas de Bagdá ficaram quase desertas com o toque de recolher, que proibiu o uso de veículos e continuará até o final da tarde do sábado.

Ao menos 130 pessoas – em sua maioria sunitas – morreram desde o ataque ao santuário na última quarta-feira.

Episódios de violência

O toque de recolher, que atingiu a capital e as províncias de Diyala, Babil e Salahuddine, começou na noite de quinta-feira e todas as folgas de policiais e soldados do Exército foram canceladas.

Centenas de policiais estão trabalhando em pontos de controle e impedindo a entrada de motoristas que tentam cruzar a cidade.

Mas os moradores de Bagdá estão tendo permissão para andar às mesquitas em seus próprios bairros.

Muitos iraquianos não têm conhecimento sobre o toque de recolher, que foi anunciado somente à meia-noite – numa clara indicação de que essa foi uma medida de pânico tomada por um governo que se esforça para controlar a situação, segundo o correspondente da BBC em Bagdá.

Apesar do toque de recolher, alguns episódios de violência voltaram a ocorrer nesta sexta-feira. Em Latifiya, ao sul de Bagdá, ao menos três xiitas foram mortos por atiradores que invadiram suas casas.

Ao menos doze corpos foram encontrados nas ruas de Bagdá durante a madrugada.

No norte do Iraque, um suposto líder da rede Al Qaeda foi morto por soldados dos Estados Unidos.

Um comunicado militar descreveu o homem – conhecido como Abu Anas ou Akram Mahmud al-Mushhadani – como um especialista em explosivos com ligações próximas com fabricantes de carros-bomba em Bagdá.

Um porta-voz do presidente iraquiano, Jalal Talabani, disse que o governo estava unido em pedir aos cidadãos que mantenham a calma.

“Tudo cairá por terra se tivermos uma guerra civil, então não acredito que possa haver uma guerra-civil total”, disse o porta-voz, Hiwa Osman, à rádio 4 da BBC.

“Pode haver alguns poucos incidentes aqui e ali, mas o governo está agora trabalhando muito duro, com as forças multinacionais, para controlar esta situação.”

Um importante imã sunita, Hasan al-Taha, criticou o ataque ao santuário xiita em seu sermão de sexta-feira na mesquita de Abu Hanifa, em Bagdá.

A Associação de Sábios Muçulmanos – a maior autoridade religiosa sunita – disse que ao menos 168 mesquitas sunitas foram atacadas em todo o país desde o atentado de quarta-feira.

Protesto sunita

O correspondente da BBC em Bagdá, Jon Brain, disse que a violência tem sido chocante até mesmo para os padrões iraquianos.

No pior incidente até agora, 47 trabalhadores de uma fábrica foram mortos e os seus corpos abandonados fora da capital.

A aliança sunita anunciou que está se retirando das negociações para formar um governo de coalizão - o que poderá ter amplas conseqüências, segundo o correspondente da BBC.

Dezenas de mesquitas sunitas foram alvo de ataque desde que a cúpula dourada do templo em Samarra foi destruída na quarta-feira.

A principal autoridade religiosa sunita - a Associação dos Clérigos Muçulmanos - acusou o mais importante líder xiita, o aiatolá Ali al-Sistani, de fomentar a violência.

Al-Sistani fez um apelo para que os xiitas não atacassem as mesquitas sunitas, mas um porta-voz do clérigo disse que a ira pode ser difícil de controlar.

Na quinta-feira, o clérigo radical Moqtada Sadr também pediu calma aos manifestantes.

"A ocupação está semeando a raiva entre nós", afirmou.

"Não permita que isso enfraqueça a sua determinação, unidade e solidariedade", disse Sadr.

Entre as vítimas dos confrontos está uma repórter da TV al-Arabiya e duas pessoas que trabalhavam com ela.

Eles foram seqüestrados e mortos depois de terem ido cobrir o ataque ao templo xiita.