23 de fevereiro, 2006 - 23h17 GMT (20h17 Brasília)
Já passa de 130 o total de mortos no Iraque em choques ocorridos após o ataque a bomba contra um templo xiita em Samarra, na quarta-feira.
O presidente iraquiano, Jabal Talabani, se encontrou nesta quinta-feira com líderes de facções políticas do país para discutir formas de acabar com a violência entre as comunidades xiita e sunita do país.
O governo decidiu estender o toque de recolher imposto na noite de quinta-feira, para toda a sexta-feira, visando conter a onda de violência que assola o país.
Ainda na quinta-feira, as forças americanas no Iraque anunciaram que sete de seus soldados do país morreram nas explosões de duas bombas em estradas ao norte de Bagdá.
Quatro foram mortos quando faziam patrulha em uma região próxima à cidade de Hawijah, a 240 Km ao norte de Bagdá.
Outros três militares foram mortos quando o veículo em que viajavam foi atingido por uma bomba nas proximidades da região de Balad.
Ataque
Os conflitos começaram depois de um ataque a um templo xiita na quarta-feira, na cidade de Samarra, e ao longo da noite e da madrugada desta quinta-feira se espalharam para o restante do país.
Em sua reunião com lideranças políticas e religiosas, Talabani falou do risco de o país cair em uma guerra civil.
"Estamos vendo uma grande conspiração para destruir a unidade iraquiana", disse ele.
No entanto, a principal liderança sunita, a Frente de Concordância Iraquiana, decidiu boicotar o encontro, em protesto contra ataques a 160 mesquitas sunitas desde a quarta-feira.
Pelo menos 53 pessoas foram mortas durante a madrugada apenas em Bagdá.
Outros 47 cadáveres com marcas de tiros foram encontrados na vila de Nahrawan, ao sul de Bagdá, ao lado de carros incendiados. A polícia disse não ter informações se os mortos - homens entre 20 e 50 anos de idade - tinham ligações com a insurgência sunita ou com os ataques recentes contra xiitas.
Bagdá está sob toque de recolher, mas protestos estão acontecendo em diversas partes da cidade.
Mais episódios de violência nesta quinta-feira incluem a explosão de uma bomba na cidade de Baquba, matando 12 pessoas, incluindo um policial.
A cidade vem sendo há tempos palco de violência entre os grupos e acredita-se que é um dos principais redutos da rede Al-Qaeda no país.
Outro sunita foi morto quando uma mesquita da cidade foi atacada com rajadas de metralhadora.
Pelo menos três jornalistas da TV árabe Al-Arabyia foram seqüestrados e mortos enquanto faziam a cobertura do ataque ao santuário xiita de Samarra.
Importância
Um porta-voz do aiatolá Ali al-Sistani, a maior autoridade xiita no Iraque, disse na quinta-feira que a raiva e a frustração de seus seguidores podem ser difíceis de serem contidas.
Um deles é o clérigo Moqtada al-Sadr, cujas milícias armadas estão patrulhando as ruas de várias cidades do país.
O ataque ao templo de Samarra foi o estopim desta nova onda de violência entre os dois maiores grupos étnicos do país.