22 de fevereiro, 2006 - 22h55 GMT (19h55 Brasília)
Homens armados mataram pelo menos onze pessoas depois de invadir uma prisão na cidade de Basra, no sul do Iraque.
Segundo a polícia, acredita-se que todas as vítimas sejam militantes sunitas, incluindo pelo menos dois egípcios.
O corpo dos dez prisioneiros foram encontrados depois na cidade em meio a relatos de que eles teriam sido torturados antes de morrer.
O ataque na cidade de maoria xiita acontece em meio a uma onda de violentos protestos entre os xiitas por causa de um ataque a bomba a um dos mais sagrados templos no país.
Há relatos de que dezenas de mesquitas sunitas tenham sido alvo de ataques despois da explosão no santuário de Askari, em Samarra, a 90 quilômetros de Bagdá.
Clérigos
A explosão no início da manhã desta quarta-feira foi provocada por dois homens armados vestidos de policiais que teriam, segundo testemunhas, forçado a entrada na mesquita e detonado artefatos explosivos. Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado.
Depois do ataque, oito muçulmanos sunitas morreram, incluindo três clérigos, durante confrontos que se espalharam pelo Iraque.
O presidente do Iraque, Jalal Talabani, fez um apelo para que os iraquianos trabalhem juntos para evitar uma guerra civil no país.
Talabani disse ainda que o ataque ao templo teve como objetivo desestabilizar as tentativas de se estruturar um governo de consenso no Iraque.
Protestos
Milhares de pessoas foram às ruas em protesto contra o ataque, abanando bandeiras do Iraque, cópias do livro sagrado muçulmano, o Corão, e bandeiras religiosas xiitas.
Diversas mesquitas sunitas foram incendiadas durante protestos contra o ataque em Samarra, que fica na região central do país.
O aiatolá Ali Sistani, chefe espiritual dos muçulmanos xiitas do Iraque, convocou uma semana de luto pelo ataque e pediu que os féis façam protestos pacíficos em suas cidades, mas que não se desloquem para Samarra.
Cúpula dourada
O impacto da explosão no santuário de Samarra foi tão forte que destruiu a cúpula dourada do templo, que, de acordo com a tradição xiita, guarda os restos mortais de dois imãs descendentes diretos do profeta Maomé e atrai fiéis de todo o mundo.
As informações iniciais eram de que não havia mortos ou feridos, mas temia-se que pudesse haver algumas pessoas presas sob os escombros.
Depois da explosão, soldados americanos e iraquianos cercaram o templo e revistaram as casas próximas.
Os cinco policiais responsáveis pela segurança do prédio foram levados em custódia, de acordo com um representante da polícia de Samarra.
Esse foi o terceiro grande ataque contra alvos xiitas em três dias.
Foco da insurgência
Samarra é um local de maioria muçulmana sunita e tem sido um dos focos da insurgência armada contra as tropas dos Estados Unidos e contra o governo iraquiano, dominado pelos xiitas.
O santuário de Askari, parte do mauseoléu do imã Ali al-Hadi, é um dos locais mais sagrados para os xiitas.
Ali al-Hadi, que morreu no ano 868, e seu filho, Hassan al-Askari, morto em 874, seriam descendentes diretos do profeta Maomé. A cúpula dourada do santuário foi completada em 1905.
O minarete em espiral no topo de um dos outros pontos sagrados da cidade, a grande mesquita sunita de Samarra, foi danificado em abril de 2003.