21 de fevereiro, 2006 - 17h28 GMT (15h28 Brasília)
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu formalmente nesta terça-feira a Ismail Haniya, líder do grupo radical islâmico Hamas, para formar um novo governo.
Haniya encabeçou a lista de deputados do Hamas nas eleições parlamentares palestinas no mês passado, vencidas pelo grupo.
Com a carta oficial de Abbas em suas mãos, Haniya pode começar o processo de formação do próximo governo palestino. Ele tem um prazo de cinco semanas para terminar de montar seu gabinete.
O Hamas já manteve negociações informais para a formação de uma coalizão com outras facções palestinas desde sua vitória nas urnas. O Hamas diz querer formar um governo de união nacional.
Todos os olhos estão agora sobre o Fatah, partido de Abbas, que até as eleições do mês passado dominava a política palestina.
Abbas, que é também presidente do Fatah, diz que o Hamas precisa reconhecer o direito de Israel existir e cumprir os acordos de paz passados. O Hamas diz que não pode se comprometer com essas condições.
Sanções
No domingo, o gabinete israelese votou pela suspensão imediata da transferência de impostos de alfândega, estimados em US$ 50 milhões mensais (cerca de US$ 106 milhões).
O primeiro-ministro israelense em exercício, Ehud Olmert, disse que no que diz respeito a Israel, a Autoridade Palestina "na prática, tornou-se uma autoridade terrorista".
As sanções incluem também restrições de movimento para afiliados ao Hamas - que não podem ir da Faixa de Gaza para a Cijsordânia - e mais controle nas passagens para Israel, mas o pacote de medidas é mais brando do que o proposto pelo Ministério da Defesa israelense.
Abbas afirmou que a Autoridade Palestina encara "uma séria crise financeira".
Os Estados Unidos também pediram de volta US$ 50 milhões, em represália ao controle do governo pelo Hamas. Segundo Abbas, uma delegação americana deve visitar a região na semana que vem.
A Secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que faz uma viagem esta semana ao Oriente Média, deve exigir que o Hamas renuncie á violência, reconheça o direito de existir de Israel e cumpra acordos feitos pela Autoridade Palestina no passado.