21 de fevereiro, 2006 - 17h17 GMT (15h17 Brasília)
O comandante do Exército colombiano anunciou sua renúncia nesta terça-feira em meio a um escândalo sobre abusos de recrutas jovens por oficiais.
O general Reinaldo Castellanos, 55, renunciou após a revista Semana ter publicado no fim de semana fotos de 21 soldados aparentemente sendo torturados numa base na cidade de Piedras, no leste do país.
Castellanos havia dito anteriormente que estava envergonhado e que os responsáveis seriam punidos. Mesmo tendo criticado seus oficiais, porém, a situação do comandante do Exército ficou insustentável.
O presidente Álvaro Uribe nomeou o general Mario Montoya, comandante da divisão do Caribe, para substituir Castellanos.
Gado
Em sua edição de domingo, a revista Semana disse que os novos soldados eram marcados como gado, abusados sexualmente e forçados a comer fezes de animais. Segundo a revista, as vítimas tinham 18 anos e vinham de famílias pobres.
Os abusos no centro de treinamento de Pideras, a 95 km da capital, Bogotá, teriam acontecido no fim de janeiro ou no início de fevereiro.
O presidente Uribe rapidamente condenou a suposta tortura, dizendo que era “deplorável que o Exército, neste momento crucial da história do país, estivesse engajado em condutas tão dolorosas e sérias”.
O presidente também criticou o Exército por ter tornado as acusações públicas somente algumas horas antes da distribuição da revista.
Prisões
Quatro oficiais tiveram suas prisões determinadas. Vários outros oficiais já foram interrogados para determinar suas possíveis participações no incidente.
As acusações ocorrem num momento em que o Exército colombiano vem tentando melhorar sua reputação na área dos direitos humanos.
Em uma entrevista ao jornal El Tiempo, o general Castellanos admitiu abusos anteriores em unidades militares, mas disse que se tratavam de incidentes “isolados”.
O Exército colombiano vem combatendo grupos guerrilheiros de esquerda por mais de quatro décadas.
Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que, no passado, o Exército foi conivente com grupos paramilitares de direita, acusados por massacres de civis.