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21 de fevereiro, 2006 - 15h08 GMT (13h08 Brasília)

Recusa de médicos adia execução na Califórnia

A execução de Michael Morales, condenado à morte na Califórnia, foi adiada quando médicos recusaram-se a participar alegando razões éticas.

Morales será o primeiro prisioneiro no estado americano a morrer por injeção letal, depois que a lei foi modificada na Califórnia para minimizar a dor sentida pelos condenados à morte.

Os dois anestesistas que deveriam ficar com Morales alegaram preocupação com uma sentença de última hora expedida por um juiz.

Pela sentença, eles teriam que anestesiar Morales antes da aplicação da injeção e intervir se ele acordasse ou demonstrasse estar sentindo dor.

Comunicado

"Este tipo de intervenção é anti-ética," disseram os médicos em um comunicado.

A prisão de San Quentin anunciou o adiamento mais de duas horas depois da hora marcada para a execução. Ela agora deve acontecer 19h30, horário local (0h30 desta quarta-feira, horário de Brasília).

Por causa das preocupações dos anestesistas, Morales vai agora ter injetada uma dose fatal de barbitúricos, ao invés do coquetel de três drogas anteriormente previsto.

A presença dos anestesistas foi conseguida pelos advogados de Morales, que argumentaram que ele iria sofrer muitas dores com a mistura de drogas que seriam injetadas no corpo dele.

Segundo os advogados, o coquetel de drogas letal violaria a oitava emenda à constituição americana, que proíbe punições cruéis.

A Associação Médica Americana, a Sociedade Americana de Anestesistas e a Associação Médica da Califórnia foram contra a participação de anestesistas na execução, prática considerada anti-ética por todas elas.

Morales foi condenado a morte por estuprar e matar Terri Winchell, de 17 anos, em 1981.

Ele admitiu o crime e disse que estava drogado e bêbado quando cometeu o assassinato.