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20 de fevereiro, 2006 - 16h41 GMT (14h41 Brasília)

Dinamarca: Al-Qaeda vai explorar crise das charges de Maomé

A organização Al-Qaeda vai tentar explorar a controvérsia criada pela publicação de charges satirizando o profeta Maomé, alertou o ministro do Exterior da Dinamarca, Per Stig Moeller.

O ministro também condenou a oferta de um clérigo muçulmano no Paquistão, que prometeu US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,1 milhões) para quem matar um dos autores das charges.

Ele disse que a oferta é "não-islâmica" e uma "incitação ao crime".

As charges, que foram publicadas em setembro na Dinamarca, provocaram protestos em todo o mundo nas últimas semanas. Pelo menos 44 pessoas morreram em protestos.

Elas foram republicadas em vários jornais europeus e até no Egito, provocando a ira de muçulmanos, já que o Islã proíbe que Alá e o profeta Maomé sejam retratados.

Assassinato

O clérigo Maulana Yousaf Qureshi, de Peshawar, fez a oferta do prêmio pelo assassinato de qualquer um dos cartunistas que desenharam as charges envolvendo a figura de Maomé, na última sexta-feira.

"Isto é assassinato, e assassinatos são proibidos pelo Corão," disse Moeller, para quem "o Islã é uma religião de paz, misericórdia e perdão".

"Esta é a minha opinião e também a de muitos muçulmanos."

Qureshi havia defendido o prêmio na semana passada, justificando que, se "o Ocidente pode oferecer um prêmio por Osama Bin Laden e Zawahiri, também podemos anunciar uma recompensa pelo assassinato de um homem que cometeu um sacrilégio com o nome do profeta".

Um dos cartunistas por trás dos desenhos, Kurt Westergaard, foi obrigado a se esconder desde que a recompensa foi oferecida na sexta, mas disse ao jornal escocês The Herald, que não está arrependido.