19 de fevereiro, 2006 - 11h17 GMT (09h17 Brasília)
A eleição do grupo militante palestino Hamas para o Parlamento está criando "uma autoridade terrorista" na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, afirmou o primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert.
Falando na primeira reunião do gabinete de governo israelense desde a posse dos parlamentares do Hamas no sábado, Olmert descartou qualquer tipo de contato com o grupo militante e pediu por sanções.
Israel permitirá que apenas ajuda humanitária chegue aos palestinos, disse o primeiro-ministro interino.
O governo de Israel também deve bloquear a transferência mensal de cerca de US$ 50 milhões em impostos para a Autoridade Palestina.
"Está claro que, dado à maioria do Hamas no Parlamento e ao fato de que a responsabilidade pela formação de um novo governo foi passada ao Hamas, a Autoridade Palestina está, efetivamente, se transformando em uma autoridade terrorista", disse Olmert.
"Israel não vai manter contatos com um governo do qual o Hamas é parte."
Pedido de paz
O líder palestino Mahmoud Abbas deve pedir que Ismail Haniya, o primeiro-ministro apontado pelo Hamas, pela formação de um novo governo. A indicação de Haniya para o cargo de primeiro-ministro, que já era esperada, foi confirmada no domingo.
Em seu discurso do sábado, durante a cerimônia de posse dos novos parlamentares, Abbas destacou a necessidade de um acordo negociado com Israel.
O Hamas empossou no sábado 74 membros do Parlamento, o Conselho Legislativo Palestino, em cerimônias em Ramallah e na Cidade de Gaza.
Autoridades do Hamas rejeitam sugestões de que deveriam reconhecer o Estado de Israel e iniciar negociações, mas deu pistas de que manteria o diálogo com Abbas.
Ainda no domingo, aeronaves israelenses mataram dois palestinos, suspeitos de colocarem bombas perto da fronteira com a Faixa de Gaza.
Os homens, que foram atingidos por um míssil perto da cerca com a fronteira em Kouza, seriam membros dos Comitês de Resistência Popular, que já realizou ataques contra alvos israelenses.