17 de fevereiro, 2006 - 12h07 GMT (10h07 Brasília)
O líder de um grupo radical islâmico foi preso no Paquistão para impedir que ele lidere protestos depois das orações desta sexta-feira.
Hafiz Mohammed Saeed estava planejando mais um protesto contra a publicação das charges que satirizam o profeta Maomé.
Mais de 100 pessoas foram presas e a polícia confirmou que aumentou as patrulhas em grandes cidades, além de fechar escolas e universidades para dispersar estudantes dispostos a participar de manifestações.
Manifestações violentas vêm ocorrendo esta semana e pelo menos cinco pessoas morreram até agora.
Publicação
As charges, publicadas primeiro em um jornal dinamarquês em setembro e recentemente em outros jornais ocidentais, provocaram a onda de protestos.
Segundo a tradição islâmica, Allah e o profeta Maomé não podem ser retratados.
Um porta-voz de Saeed disse que vários policiais o colocaram em prisão domiciliar na manhã desta sexta-feira.
Ele havia programado um sermão na cidade de Lahore antes de liderar um protesto na cidade de Faisalabad.
O ministro da Informação, Sheikh Rachid disse que "o governo não vai permitir interrupção da paz e da ordem na sociedade".
Violência
Na quinta-feira centenas de milhares de pessoas participaram de uma manifestação pacífica em Karashi. Mas na quarta-feira três pessoas morreram em protestos no país.
Nos protestos do dia 15 lojas foram atacadas em Peshawar, uma lanchonete da rede americana KFC foi incendiada e um escritório de uma empresa de telefonia celular norueguesa também sofreu ataques.
Houve violência também no noroeste do país, perto da fronteira com o Irã e os estudantes tomaram as ruas de Lahore, apesar de protestos públicos estarem proibidos.
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, condenou a publicação das charges há duas semanas.
Correspondentes afirmam que muitos dos alvos atacados no Paquistão não tem relação com as charges e as manifestações têm sido uma demonstração de força pelos partidos islâmicos de linha dura.