17 de fevereiro, 2006 - 14h35 GMT (12h35 Brasília)
O primeiro-ministro israelense em exercício, Ehud Olmert, reuniu o gabinete nesta sexta-feira para revisar as alternativas de sanções que podem ser impostas à Autoridade Palestina, mas nenhuma decisão foi tomada.
Vários participantes disseram à agência de notícias AP que Israel vai esperar para ver como os palestinos vão agir depois da posse do novo Parlamento.
Entre as sanções cogitadas estão voltar a barrar milhares de trabalhadores palestinos, fechando as entradas da Faixa de Gaza e considerando a Autoridade Palestina como inimiga.
Ehud Olmert recebeu um resumo detalhado das sanções propostas e o gabinete israelense deve tomar uma decisão final e votar a implementação das sanções neste domingo.
Primeiro-ministro do Hamas
Em Gaza, o Hamas teria escolhido seu primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, apesar da decisão ainda não ser oficial. A escolha seria um sinal de pragmatismo, já que Haniyeh é considerado moderado e tem agido como intermediário entre o Hamas e a liderança do Fatah que deixa o governo.
Haniyeh acusou Israel de infligir punição coletiva aos palestinos e garantiu que "o nosso povo não vai se ajoelhar ante medidas israelenses".
O ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, recomendou na quinta-feira a lista de restrições a serem impostas à Autoridade Palestina, que com a vitória do Hamas nas eleições legislativas, passa a ser dominada pelo grupo militante.
Além da interrupção da ligação entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, a lista prevê o impedimento da entrada de trabalhadores palestinos em território israelense e o corte de recursos em áreas palestinas.
As sanções também incluem acabar com as importações de produtos vindos de Gaza. Israel é o maior mercado para este produtos as exportações para o resto do mundo saem de portos israelenses.
Exigências de Abbas
O líder palestino, Mahmoud Abbas, disse que vai exigir que o Hamas aceite publicamente o seu objetivo de alcançar um acordo de paz com Israel e reconhecer acordos passados com o Estado israelense.
Se as sanções forem impostas, cerca de 4 mil famílias palestinas vão perder sua principal fonte de renda com a proibição de entrarem e trabalharem em Israel. O movimento de oficiais palestinos entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza também deve ser afetado.
Israel também ameaça suspender a transferência de cerca de US$ 50 milhões (R$ 105 milhões) por mês em impostos e taxas de alfândega recolhidos para os palestinos.
A ajuda humanitária, no entanto, não seria afetada, de acordo com o governo israelense.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Mark Regev, acredita que as posições de Israel em relação ao Hamas são compartilhadas pela comunidade internacional.
"A idéia é induzi-los a tomar as decisões corretas", disse Regev.
Amir Peretz, do partido Trabalhista, mais moderado, disse que há "formas indiretas de contornar o Hamas e fortalecer forças moderadas".
Para Saeb Erekat, advogado do Fatah e durante anos o principal negociador palestino junto a Israel, "vamos ter uma crise de grandes proporções".