16 de fevereiro, 2006 - 12h29 GMT (10h29 Brasília)
O ministro do Exterior da França, Philippe Douste-Blazy, acusou o Irã abertamente pela primeira vez de usar o programa nuclear do país como cobertura para atividades militares ilegais.
"Nenhum programa nuclear civil pode explicar o programa nuclear iraniano. É um programa nuclear militar clandestino", afirmou Douste-Blazy em uma entrevista à TV francesa.
No entanto, o Irã insiste que tem planos unicamente pacíficos para a energia atômica. O negociador-chefe para assuntos nucleares do governo iraniano, Ali Larijani, refutou firmemente as acusações francesas.
"Ao contrário do que diz toda a propaganda contra nós, não estamos tentando produzir uma bomba atômica, já que somos signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear", disse Larijani a uma rádio francesa.
"Somos um país responsável, isso é a propaganda ocidental que insiste em dizer que estamos tentando fabricar uma bomba nuclear, mas não é verdade."
China
O caso do Irã também vem alarmando as autoridades da China. O porta-voz do ministério do Exterior chinês, Qin Gang, disse que Pequim quer uma solução pacífica por meios diplomáticos.
A resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), apoiada pelos cinco países que integram o quadro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), pode levar a sanções contra o Irã.
No entanto, qualquer decisão sobre o assunto só será tomada depois que a direção da AIEA publicar um relatório sobre o assunto.
Na entrevista em que fez as acusações contra o Irã, o ministro do Exterior francês afirmou ainda que não são apenas os países ocidentais que estão unidos.
"A comunidade internacional enviou uma mensagem forte para os iranianos: mostrem bom senso e suspendam o programa nuclear. Mas eles não estão nos ouvindo", concluiu o ministro.