16 de fevereiro, 2006 - 06h17 GMT (04h17 Brasília)
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma proposta nesta quarta-feira para cortar a ajuda financeira que o país provê à Autoridade Palestina a não ser que o Hamas renuncie à intenção de destruir Israel.
O grupo militante ganhou maioria no Parlamento palestino em uma eleição no mês passado.
O líder da maioria republicana na Câmara, John Boehner, disse que a medida - aprovada por 418 votos a favor e um contra - deixa claro que os Estados Unidos "não vão apoiar organizações terroristas".
"Até que o Hamas mude de rumo - desmanche a sua organização terrorista e concorde em trabalhar no sentido de um acordo pacífico com Israel - o dinheiro do contribuinte não deve servir para apoiar o governo palestino", disse Boehner.
A proposta já foi aprovada no Senado americano.
Embora o governo americano não seja obrigado a seguir a decisão do Congresso, o presidente George W. Bush já vem ameaçando cortar a ajuda financeira à Autoridade Palestina desde a vitória do Hamas nas urnas, no dia 25 de janeiro.
De fato, nesta quarta-feira, a secretária de Estado americano, Condoleezza Rice, disse à Comissão de Relações Exteriores do Senado que Washington não colocaria dinheiro em um governo do Hamas, mas disse que a ajuda humanitária será mantida.
Segundo a agência de notícias Reuters, o governo americano havia previsto doar US$ 150 milhões em ajuda aos palestinos neste ano.
Tanto os EUA como a União Européia - ambos grandes doadores da Autoridade Palestina - vêm pressionando o Hamas a renunciar à violência.
Israel também ameaçou parar de repassar à Autoridade Palestina os impostos que coletam em nome da organização. São taxas referentes a áreas palestinas sob ocupação israelense.
O Hamas alega que as reivindicações dos doadores são injustas e que podem ameaçar o bem-estar dos palestinos.
Ainda nesta quarta-feira, o governo israelense ameaçou cortar relações com o próximo primeiro-ministro palestino se ele for afiliado ao Hamas.