15 de fevereiro, 2006 - 18h02 GMT (16h02 Brasília)
O presidente da França, Jacques Chirac, mandou voltar para a costa marítima francesa um navio de guerra revestido de asbesto (fibra mineral tóxica), seguindo decisão da Suprema Corte do país.
A alta corte de justiça francesa ordenou o fim da transferência do porta-aviões Clemenceau para a Índia depois da reclamação de ambientalistas.
O Greenpeace e outros três grupos anti-asbesto alegam que o navio é um risco à saúde e ao meio ambiente.
A Índia proibiu que o Clemenceau entrasse na sua costa marítima. Ele está agora no Mar Arábico.
O governo indiano disse que quer mais informações antes de autorizar a entrada da embarcação em suas águas.
Polêmica
O comunicado do gabinete de Chirac diz: "O presidente decidiu colocar esse navio em águas francesas num estado de prontidão, o que oferece todas as garantias de segurança até que uma solução definitiva para seu desmantelamento seja encontrada".
O Greenpeace considerou a decisão "uma vitória para os trabalhadores indianos" e para aqueles que trabalham no desmonte de navios.
Yannick Jadot, diretor de campanhas do Greenpeace França, afirmou que essa foi uma vitória para a proteção dos direitos fundamentais do indivíduo e do meio ambiente.
A suposta última viagem do Clemenceau foi cercada de polêmica.
Na terça-feira, a ministra da Defesa da França anunciou um inquérito para esclarecer quanto de asbesto foi tirado do navio antes que ele embarcasse.
Michèle Alliot-Marie disse que havia uma discrepância de 30 toneladas entre o montante que uma empresa francesa afirmou ter removido e o montante recebido em um depósito de resíduos.
A decisão do Conselho de Estado, a Suprema Corte francesa, tem efeito imediato.
O caso voltará para uma corte administrativa de Paris para o detalhamento do veredicto, o que pode levar até seis meses.
Analistas dizem que a polêmica foi um embaraço para o governo francês, especialmente porque ocorreu às vésperas da viagem de cinco dias de Chirac à Tailândia e à Índia, nesta quinta-feira.