14 de fevereiro, 2006 - 14h53 GMT (12h53 Brasília)
Um grupo de ex-funcionários de alto escalão do Partido Comunista chinês, incluindo um ex-assessor de Mao Tse Tung, divulgou uma carta aberta protestando contra a crescente censura no país.
O grupo denunciou o fechamento de um suplemento semanal investigativo e afirma na carta que apenas um regime totalitário necessita deste tipo de restrições.
A suspensão do suplemento semanal Bingdian, que era parte do China Youth Daily e ficou conhecido pelas reportagens sobre corrupção no governo, foi considerada um "incidente histórico" pelo grupo de políticos da velha guarda, que alertaram sobre os perigos de impedir a liberdade de expressão em um país em transição política.
Entre os signatários da carta estão também o editor-chefe do jornal do Partido Comunista e um ex-chefe de propaganda.
História
Muitos dos signatários trabalharam com Zhao Ziyang e Hu Yaobang, chefes relativamente liberais do partido, afastados nos anos 80.
A carta é assinada pelo assistente e biógrafo de Mao, Li Rui; pelo ex-editor-chefe do jornal Diário do Povo; e pelo ex-vice-diretor da agência de notícias Xinhua, Li Pu.
A carta foi distribuída para jornalista e cidadãos por e-mail, usando sites chineses com base no exterior.
O Departamento de Propaganda do Partido Comunista fechou o suplemento no dia 24 de janeiro, depois da publicação de um ensaio do historiador Yuan Weishi, que criticava antigas distorções nacionalistas em livros escolares de história.