13 de fevereiro, 2006 - 11h45 GMT (09h45 Brasília)
O ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, compareceu ao seu julgamento nesta segunda-feira em Bagdá, após ter boicotado as audiências desde o fim de janeiro.
Saddam vinha boicotando as sessões desde que ele e os outros sete réus se retiraram da corte em meio a discussões no dia 29 de janeiro, alegando que o tribunal é tendencioso.
Os advogados do ex-líder iraquiano haviam dito anteriormente que ele manteria o boicote, mas ele apareceu no tribunal na segunda-feira gritando “Abaixo Bush”.
Ao entrar no tribunal, Saddam Hussein disse: “Eles me trouxeram aqui à força”.
Dirigindo-se ao juiz, ele disse: “Exerça seu direito de me julgar à revelia. Ou está tentando superar sua própria pequenez?”.
Túnica azul
O ex-líder iraquiano apareceu no tribunal usando uma túnica árabe tradicional azul e uma jaqueta negra em contraste com o terno que vinha usando anteriormente.
“Abaixo o traidor, abaixo os traidores, abaixo Bush. Longa vida à ummah (nação islâmica)... longa vida à ummah... longa vida à ummah...”, gritou Saddam.
Seu meio-irmão Barzan Ibrahim al-Tikriti discutiu com os guardas ao ser levado ao tribunal.
Ambos continuaram a discutir com o juiz durante os procedimentos iniciais, recusando ordens para sentarem e ficarem quietos.
“Este não é um tribunal, este não é um tribunal, é uma brincadeira”, gritou Saddam Hussein.
Barzan Ibrahim sentou-se no chão com suas costas viradas para o juiz.
A sessão foi encerrada após o depoimento de dois ex-aliados de Saddam, que se recusaram a testemunhar sobre os assassinatos em Dujail, alegando terem sido forçados a comparecer ao tribunal. O julgamento deve ser retomado nesta terça-feira.
Protesto
A equipe de advogados de defesa de Saddam já havia se retirado do julgamento em protesto contra o novo juiz-chefe, Raouf Abdul Rahman, a quem julgam tendencioso.
O juiz Rahman disse que estava colocando em prática leis que Saddam Hussein havia adotado.
O juiz rechaçou acusações de que os advogados de defesa teriam sido expulsos, dizendo que eles é que haviam decidido não comparecer ao tribunal.
Saddam e os outros sete réus são acusados pela morte de 148 moradores da vila xiita de Dujail em 1982. Eles negam as acusações.
O correspondente da BBC em Bagdá Jon Brain diz que a acusação estava consciente de que a imagem dos bancos dos réus vazios poderia prejudicar ainda mais um julgamento que vinha se aproximando da farsa.
Mas ele diz que se os réus foram levados ao tribunal à força os advogados de defesa argumentariam que isso prova sua acusação de que o juiz é tendencioso e favorece a acusação.
Greve de fome
O chefe da equipe de defesa de Saddam refutou alegações anteriores de que seu cliente está planejando uma greve de fome.
Khalil al-Dulaimi disse à Reuters no domingo que "parece quase certo" que Saddam Hussein "não tem mais planos de uma greve de fome pelo menos amanhã (segunda-feira), embora alguns de seus colegas possam (fazer isso)".
O julgamento, que começou em outubro, sofreu atrasos, viu dois advogados da defesa assassinados e a renúncia do juiz Rizgar Amin.
Saddam Hussein e seus advogados acusaram o novo juiz que preside o julgamento, Raouf Abdul Rahman, um curdo, de ser tendencioso.
Os advogados da defesa abandonaram o tribunal depois que Rahman assumiu o cargo no mês passado.
Determinado a prosseguir com o caso de qualquer maneira, Rahman pediu a advogados indicados pela corte que assumissem a defesa dos réus.
O chefe da promotoria, Jaafar Moussawi indicou que o tribunal perdeu a paciência com Saddam e os outros réus, que incluem o seu meio-irmão Barzan Ibrahim e outros de seus principais assessores.