13 de fevereiro, 2006 - 14h23 GMT (12h23 Brasília)
Diplomatas da agência nuclear das Nações Unidas em Viena dizem que o Irã retomou parte de suas atividades de enriquecimento de urânio em sua usina nuclear em Natanz.
Eles dizem que os cientistas começaram a colocar gás de urânio em centrífugas, o que é o primeiro passo na produção do que poderia ser tanto combustível para um reator nuclear quanto material para a fabricação de armas nucleares.
O Irã já havia alertado anteriormente que retomaria as atividades se fosse denunciado ao Conselho de Segurança da ONU, o que aconteceu no mês passado.
As autoridades iranianas também anunciaram nesta segunda-feira o adiamento de um encontro com autoridades russas, previsto para quinta-feira, em que seriam discutidos planos de enriquecer urânio na Rússia para o programa nuclear iraniano.
A idéia tem sido apresentada como uma solução diplomática para a disputa de Teerã com o Ocidente sobre o seu direito a possuir um programa nuclear.
Um porta-voz do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o encontro foi adiado por tempo indeterminado. As negociações serão retomadas num momento de "comum acordo".
No dia 4 de fevereiro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidiu levar o caso do Irã para o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas por causa de seu programa nuclear.
A medida levou o Irã a romper sua cooperação com inspetores da AIEA e a anunciar o reinício de suas atividades de enriquecimento de urânio.
'Nova situação'
Países como Estados Unidos e Grã-Bretanha afirmam que o Irã busca desenvolver armas nucleares. O governo iraniano sustenta que seu programa tem apenas fins pacíficos de geração de energia.
A Rússia propôs enriquecer urânio em suas instalações e transferir o material em navios para o Irã – sugestão para romper o impasse que foi bem aceita pela maioria dos países do Conselho de Segurança.
O porta-voz da presidência iraniana disse que as negociações sobre o assunto foram congeladas em razão da "nova situação" – uma referência ao envio do caso para ser discutido no Conselho de Segurança. A Rússia foi um dos países que apoiou remeter o assunto ao CS na reunião decisiva da AIEA.