14 de fevereiro, 2006 - 00h52 GMT (22h52 Brasília)
A versão preliminar de um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sugere que os Estados Unidos violaram a integridade física e mental dos prisioneiros detidos na Baía de Guantánamo, segundo informações publicadas pelo jornal americano Los Angeles Times nesta segunda-feira.
Em alguns casos, diz o relatório, o abuso poderia ser classificado de tortura.
Além de pedir pelo fechamento do centro de detenção, o relatório sugere que os prisioneiros sejam submetidos a julgamentos em território americano.
A detenção contínua dessas pessoas, sem acusação, iria contra as leis internacionais.
Acesso
O relatório é o resultado de uma investigação de 18 meses realizada por enviados da ONU que entrevistaram antigos prisioneiros, advogados de prisioneiros atuais e seus familiares e funcionários do governo americano.
O relatório teria concluído que o método de alimentação à força usado pelos americanos em presos que praticavam uma greve de fome (inserindo tubos nasais nos detentos), a violência excessiva no transporte de prisioneiros e certas técnicas de interrogatório poderiam ser consideradas tortura.
Cerca de 500 pessoas estão detidas na Baía de Guantánamo desde 2002.
Os Estados Unidos não os consideram prisioneiros de guerra, o que lhes concederia direitos previstos na lei internacional.
O relatório também questionaria esta falta de um status claro para os prisioneiros.
O Departamento de Estado americano condenou o relatório, dizendo que a ONU havia recusado uma oferta americana de visitar os presos.
Os autores do relatório dizem que recusaram a oferta porque não teriam acesso aos prisioneiros.