11 de fevereiro, 2006 - 00h53 GMT (22h53 Brasília)
Um carro-bomba explodiu nesta sexta-feira no bairro de Doura, na capital do Iraque, Bagdá, matando oito pessoas e deixando até 22 feridos, de acordo com informações do hospital local.
O ataque aconteceu por volta da mesma hora em que foram divulgados os resultados finais das eleições iraquianas, que confirmaram uma vitória da coalizão xiita que governo o país.
O atentado desta sexta-feira teve como alvo muçulmanos xiitas que saíam, depois das orações do meio dia, da mesquita Shia Iskan al-Shaabi, em Doura, considerado um dos bairros mais perigosos de Bagdá.
Por volta do momento da explosão, o resultado das eleições foi anunciado pela comissão eleitoral do país na chamada Zona Verde da cidade, uma área cercada e protegida pelas forças de segurança.
Aliança iraquiana
A Aliança Iraquiana Unida, dominada por religiosos xiitas, garantiu a maioria dos 275 assentos, com 128 mandatos.
Uma aliança curda conquistou 53 cadeiras e os partidos árabes sunitas ganharam 58.
O resultado marca uma grande evolução em relação às eleições anteriores, de janeiro de 2005, quando os muçulmanos sunitas boicotaram o pleito e praticamente não conquistaram representação no Parlamento.
Representantes das forças americanas já tinham alertado em janeiro para a possibilidade de um recrudescimento da violência na época que os resultados do pleito fossem divulgados.
Na quinta-feira, uma bomba em Faluja matou dois fuzileiros navais americanos.
Com as duas mortes, o número de soldados americanos mortos no Iraque chegou a 2.260, desde março de 2003.
O atentado desta sexta-feira aconteceu apesar de o Iraque já ter adotado duras medidas de segurança para tentar impedir ataques de insurgentes durante as celebrações da Ashura, uma das mais importantes cerimônias religiosas xiitas.
Em Bagdá e na cidade sagrada de Karbala, ruas foram fechadas ao trânsito e foram montadas barreiras militares.
Cerca de 8 mil soldados e policiais, incluindo 2 mil em trajes civis, estão trabalhando para proteger os peregrinos em Karbala.
São esperados milhões de peregrinos nas cerimônias que marcam o martírio do Imã Hussein, neto do profeta Maomé, que morreu em Karbala.
Em 2004, 170 pessoas foram mortas em ataques coordenados durante a Ashura.