11 de fevereiro, 2006 - 05h01 GMT (03h01 Brasília)
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a Nigéria deve tomar mais medidas preventivas para evitar mais contaminação pela gripe aviária.
O governo precisa fiscalizar o comércio de aves e intensificar o controle de transporte e o abate de aves, segundo a FAO (o fundo da Organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação) e a Organização Mundial para Saúde Animal.
Os dois órgãos da ONU também pediram aos países vizinhos da Nigéria, o Benin, Camarão, Chade, Gana e o Níger que aumentem as inspeções na fronteira.
Autoridades da Nigéria confirmaram a presença da variante letal do vírus da gripe aviária, o H5N1, afetando aves em três estados do país.
As aves começaram a morrer há quatro semanas, levando a temores de que as medidas de emergência cheguem tarde demais.
As duas agências da ONU vão enviar uma missão conjunta à Nigéria dentro de 48 horas para analisar a situação.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu uma grande campanha de educação pública para impedir que a gripe contagie humanos na Nigéria.
A OMS afirma que também vai enviar especialistas à Nigéria que vão usar uma campanha nacional de vacinação contra a pólio, no sábado, para tentar detectar possíveis casos do vírus em humanos.
"Todos os países precisam tomar medidas para proteger a saúde humana contra a gripe aviária e preparar para uma epidemia", disse o diretor-geral da OMS, Lee Jong-Wook.
Novos casos
O governo da Nigéria confirmou na sexta-feira a incidência da variante letal do vírus da gripe aviária, o H5N1, em outros dois Estados do país, elevando para três as áreas atingidas.
Na quarta-feira, testes confirmaram que o H5N1 foi responsável pela morte de milhares de aves no Estado de Kaduna, no norte do país, primeiros casos da doença no continente.
Agora foi a vez dos Estados de Kano e Plateau, no centro da Nigéria.
Oficialmente, foram confirmados casos em quatro fazendas do país até o momento, mas existe a suspeita de que o problema possa estar muito mais disseminado.
"Temos 30 fazendas afetadas e ainda estamos contando", disse Auwalu Haruna, presidente da associação dos produtores de aves do Estado de Kano à agência de notícias France Presse.
O governo vem sacrificando dezenas de milhares de aves em uma tentativa de conter o surto.
Epidemia global
A presença do H5N1 na África causa uma preocupação especial porque muitos países podem não estar aparelhados para lidar ou mesmo detectar a doença.
A África Subsaariana, fragilizada por guerras, secas e pobreza disseminada, necessitaria de grandes quantidades de dinheiro, remédios, técnicos e equipamentos.
Os governos da Etiópia e de Uganda já avisaram que não têm condições nem de diagnosticar a doença.
Especialistas dizem que, mesmo que a doença fique restrita às aves, ela representaria uma catástrofe econômica para milhões de pessoas que dependem delas para a subsistência.