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10 de fevereiro, 2006 - 20h39 GMT (18h39 Brasília)

Israel critica convite da Rússia a líderes do Hamas

O governo de Israel criticou a decisão da Rússia de convidar líderes do Hamas para conversas em Moscou depois da vitória do grupo militante nas eleições palestinas.

O ministro Meir Shitrit acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de "esfaquear Israel pelas costas".

Shitrit disse que a decisão de Putin deu legitimidade ao Hamas - considerado um grupo terrorista por Israel e por países do Ocidente.

Altos funcionários do governo russo disseram que Putin quer engajar o Hamas e persuadir o grupo a abrir mão de suas políticas radicais.

Chechenos

"Eu imagino o que Putin diria se convidássemos os chechenos aqui para conversar", disse Shirtrit à rádio Israel.

A França expressou apoio à Rússia pelo esforço de tentar estender a mão para o Hamas, mas reiterou que o grupo militante tem que renunciar à violência e reconhecer a existência de Israel.

O porta-voz do Ministério do Exterior da França, Denis Simonneau, disse que a Rússia não consultou seus parceiros internacionais antes de fazer o convite.

Mas ele disse "acreditar que a iniciativa pode contribuir para avançar suas posições".

"Compartilhamos com a Rússia o objetivo de ajudar o Hamas na direção de posições que poderiam permitir atingir a meta de ter dois estados que possam viver em paz e segurança".

O governo de Israel divulgou que não vai negociar com o Hamas até que o grupo reconheça o direito de Israel de existir, renunciar ao terrorismo e aceitar o processo de paz do Oriente Médio.

Soluções

De acordo com autoridades russas, o objetivo das conversas de Moscou seria explicar as abordagens recentemente acordadas pelo chamado quarteto, formado pelos Estados Unidos, ONU, Nações Unidas e Rússia.

Para Putin, o Hamas chegou ao poder de forma legítima.

"O que queremos é que o Hamas respeite os acordos previamente feitos e que não hajam mais atos de terrorismo."

Até agora a Rússia havia seguido a linha comum do quarteto, mas a decisão de Putin criou especulações de que a política russa em relação ao conflito entre israelenses e palestinos tenha mudado.