O governo da Nigéria confirmou nesta sexta-feira a incidência da variante letal do vírus da gripe aviária, o H5N1, em outros dois Estados do país, elevando para três as áreas atingidas.
Na quarta-feira, testes confirmaram que o H5N1 foi responsável pela morte de milhares de aves no Estado de Kaduna, no norte do país, primeiros casos da doença no continente.
Agora foi a vez dos Estados de Kano e Plateau, no centro da Nigéria.
Oficialmente, foram confirmados casos em quatro fazendas do país até o momento, mas existe a suspeita de que o problema possa estar muito mais disseminado.
Possibilidade
"Temos 30 fazendas afetadas e ainda estamos contando", disse Auwalu Haruna, presidente da associação dos produtores de aves do Estado de Kano à agência de notícias France Presse.
O governo vem sacrificando dezenas de milhares de aves em uma tentativa de conter o surto.
Especialistas acreditam que o vírus possa estar em circulação no país há pelo menos um mês.
A Organização Mundial de Saúde deve enviar uma equipe de técnicos para auxiliar nos esforços e diz acreditar ser possível isolar a doença dentro das fronteiras do país.
Epidemia global
A presença do H5N1 na África causa uma preocupação especial porque muitos países podem não estar aparelhados para lidar ou mesmo detectar a doença.
A África Subsaariana, fragilizada por guerras, secas e pobreza disseminada, necessitaria de grandes quantidades de dinheiro, remédios, técnicos e equipamentos.
Os governos da Etiópia e de Uganda já avisaram que não têm condições nem de diagnosticar a doença.
Especialistas dizem que, mesmo que a doença fique restrita às aves, ela representaria uma catástrofe econômica para milhões de pessoas que dependem delas para a subsistência.
A maior preocupação, entretanto, é que o vírus possa ser transmitido entre humanos, aumentando os riscos de uma epidemia de dimensões globais.
O H5N1 já matou 85 pessoas, a maioria delas na Ásia desde 2003.
Ainda nesta sexta-feira, a Indonésia confirmou a morte de mais uma mulher por causa da doença.
O número de mortos pelo H5N1 no país já chega a 17.
Outra mulher, também moradora da mesma região da capital do país, Jacarta, também foi diagnosticada com o vírus.