10 de fevereiro, 2006 - 21h39 GMT (19h39 Brasília)
Dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestações em vários países do mundo nesta sexta-feira em mais um dia de protestos contra a publicação de charges do profeta Maomé por jornais europeus.
No Irã, manifestantes lançaram coquetéis molotov contra a embaixada da França, causando um pequeno incêndio que logo foi controlado, e também apedrejaram as representações diplomáticas da Grã-Bretanha e da Dinamarca.
No Quênia, tropas de choque da polícia tiveram que usar gás lacrimogêneo para evitar que centenas de manifestantes invadissem a embaixada dinamarquesa em Nairóbi.
Cerca de 10 mil manifestantes também mostraram seu descontentamento com a publicação das charges, originalmente pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em Dacar, a capital de Bangladesh.
Outros protestos foram realizados no Afeganistão, Índia, Irã, Jordânia, Marrocos, Paquistão, África do Sul, Sri Lanka, Turquia e Malásia.
Malásia
O primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Badawi, disse que foi criado um enorme abismo entre o Ocidente e o mundo islâmico por causa de frustrações dos muçulmanos com políticas ocidentais.
Abdullah, que é visto como um promotor de visões moderadas do islamismo em seu país, disse que, para muitos ocidentais, os muçulmanos são terroristas natos.
A capital malaia, Kuala Lumpur, foi palco nesta sexta-feira da maior manifestação a ter lugar no país em vários anos.
Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra as charges que ironizam Maomé.
Elas marcharam de uma mesquita até a embaixada da Dinamarca gritando slogans como “Longa vida ao Islã”, “Morte à Dinamarca”, “Morte a Israel”, “Morte a George Bush” e “Morte aos Estados Unidos”.
Na quinta-feira, o premiê malaio fechou por tempo indeterminado o jornal Sarawak Tribune, que reproduziu as charges que estão no centro dos protestos.