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08 de fevereiro, 2006 - 05h21 GMT (03h21 Brasília)

ONU e UE pedem calma a muçulmanos

Autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Européia, além um grupo muçulmano pediram calma à comunidade islâmica internacional devido aos protestos em vários países contra a publicação de charges satirizando o profeta Maomé.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, chamou as charges de ofensivas, mas também afirmou que está alarmado com a reação violenta no mundo todo.

O primeiro-ministro da Dinamarca, onde as charges foram publicadas pela primeira vez, afirmou que o incidente levou a uma "crise global".

Várias pessoas foram mortas em protestos violentos, a maioria no Afeganistão.

Na França, a Justiça rejeitou, alegando questões técnicas, uma aplicação para uma medida cautelar contra uma publicação satírica que planejava publicar as 12 caricaturas em sua edição de quarta-feira.

A União das Organizações Islâmicas da França, um dos grupos que pediu a medida cautelar, disse que "não se pode insultar uma religião".

"Defender a dignidade de uma religião não significa radicalismo", disse Fouad Alaoui, membro da União das Organizações Islâmicas.

'Diálogo'

A declaração de Annan foi feita em conjunto com o chefe de Política Exterior da União Européia, Javier Solana, e o chefe da Organização para Conferência Islâmica, Ekmelettin Ihsanoglu, e pediu moderação.

"Acreditamos que liberdade de expressão compreende responsabilidade e ponderação, e deve respeitar as crenças e dogmas de todas as religiões. Mas também acreditamos que os recentes atos violentos ultrapassam os limites do protesto pacífico", afirmaram os líderes na declaração.

A declaração ocorre no momento em que o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, pediu a resolução da crise "pelo diálogo, e não pela violência".

Extremistas que buscam "um choque de culturas" estão explorando o incidente, acrescentou Rasmussen.

Alguns países muçulmanos impuseram sanções contra a Dinamarca, as embaixadas do país foram atacadas e seus produtos de exportação, boicotados.

Afeganistão

Ao menos três pessoas morreram na terça-feira no Afeganistão em confrontos com a polícia durante uma manifestação que reuniu centenas de pessoas protestando contra a publicação das charges satirizando o profeta Maomé.

A multidão atacou uma base militar da Otan onde estão cerca de cem soldados das forças de paz norueguesas e finlandesas na cidade de Maymana, no norte do país.

A força de paz da Otan enviou um reforço de 120 soldados britânicos para a cidade após o ataque à base.

Ao menos 30 pessoas ficaram feridas durante o incidente. Uma porta-voz da Otan disse que a multidão tentou invadir a base, levando os soldados a disparar tiros de advertência e bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar o protesto.

A Otan disse que a ordem havia sido restaurada no início da noite.

Apelo

A Dinamarca fez um apelo nesta terça aos seus cidadãos para que saiam da Indonésia, o país com maior população muçulmana do mundo, com protestos se multiplicando na Europa, no Oriente Médio e em partes da Ásia.

Protestos no Paquistão reuniram cinco mil pessoas em Peshawar, no norte do país. Muitos dos manifestantes eram estudantes de religião que gritavam: "Enforquem o homem que insultou o profeta".

Desde que as charges foram publicadas pela primeira vez, em setembro, outros jornais europeus republicaram os desenhos, sendo que um mostrava Maomé com um turbante em formato de bomba.

A justificativa dos jornais é de que estavam exercitando sua liberdade de expressão. Mas os muçulmanos demonstraram irritação, já que é proibido retratar o profeta Maomé.

Pela lei paquistanesa, insultar o Corão é crime punido com pena de morte.

No Irã, a embaixada norueguesa foi atacada pelo segundo dia consecutivo e o governo dinamarquês afirmou que responsabiliza o governo.