07 de fevereiro, 2006 - 17h06 GMT (15h06 Brasília)
O capitão de um barco que recusou ajuda a outra embarcação que afundou no Mar Vermelho na última sexta-feira disse que estava protegendo seus próprios passageiros.
Salah Jomaa disse ao jornal egípcio Ahram que a tripulação do Al-Salam Boccaccio 98 pediu ajuda, mas que ele se afastou para evitar "uma segunda catástrofe".
"Tomei a decisão de não retornar para proteger a vida dos 1,8 mil passageiros a bordo", disse.
Cerca de mil pessoas morreram no naufrágio do Al-Salam Boccaccio 98.
Resgate
Havia dúvidas com relação ao pedido de socorro da tripulação, mas Jomaa disse que recebeu um sinal de rádio no seu navio, o Santa Catherine, pedindo que ele retornasse para uma operação de resgate.
Mas o capitão do Saint Catherine achou que, se voltasse, corria o risco de ter o seu próprio barco afundado, "especialmente porque as condições climáticas eram ruins, e as ondas, muito altas".
Jomaa disse que alertou outros barcos na área do desastre que estava para ocorrer e pediu que eles prestassem ajuda.
Mas a operação de resgate só foi iniciada sete horas depois do naufrágio do al-Salam, que ia de Duba, na Arábia Saudita, para Safaga, no Egito.
Ambos os barcos eram operados pela El-Salam Maritime, cujos escritórios foram invadidos em Safaga na segunda-feira por centenas de parentes de vítimas do naufrágio.
Havia 1.450 pessoas a bordo quando o al-Salam afundou depois de um incêndio no barco.
Depois do acidente, houve acusações de negligência, nas quais a tripulação teria ignorado alertas para evacuação depois do início do incêndio a bordo.
Parentes das vítimas ficaram revoltados com a falta de informações sobre a tragédia.