07 de fevereiro, 2006 - 01h18 GMT (23h18 Brasília)
O Irã anunciou o corte de todos os seus laços comerciais com a Dinamarca em protesto contra a publicação de uma série de charges do profeta Maomé consideradas ofensivas pelos muçulmanos.
O ministro do Comércio iraniano, Masoud Mir-Kazemi, afirmou que a proibição atinge todas as importações da Dinamarca e também outros negócios entre os dois países.
Atualmente o Irã importa US$ 280 milhões por ano em produtos dinamarqueses o que equivale a cerca de 0,3% do total das exportações da Dinamarca.
Os produtos dinamarqueses já estão sendo alvo de boicotes em vários outros países muçulmanos.
A decisão iraniana ocorre após o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, ter estabelecido uma comissão para analisar o possível cancelamento de contratos econômicos com os países nos quais as charges foram publicadas.
O governo iraniano já havia anunciado a retirada de seu embaixador na Dinamarca.
O governo da Dinamarca, por sua vez, responsabiliza o Irã pelo ataque à sua embaixada em Teerã, na segunda-feira, e pediu garantias de segurança para cidadãos dinamarqueses que ainda estão no Irã.
As charges apareceram inicialmente no jornal dinamarquês Jyllands-Posten em setembro e foram posteriormente republicadas por jornais de países como França, Alemanha, Itália, Holanda e Espanha – todos dizendo estar exercendo seu direito à livre expressão.
Elas associam o profeta Maomé ao terrorismo dos extremistas islâmicos. Os muçulmanos são proibidos de fazer representações gráficas de Deus ou de Maomé e consideram as caricaturas um insulto.
Manifestação
Centenas de estudantes muçulmanos participaram na segunda-feira em Teerã, capital do Irã, de um protesto apoiado pelo governo contra a publicação das charges em frente às embaixadas da Áustria e da Dinamarca, que chegaram a ser alvo de coquetéis molotov.
A Áustria ocupa atualmente a Presidência da União Européia.
Sob gritos de "Deus é Grande", uma multidão se juntou em frente à embaixada da Áustria, mas a polícia de choque evitou que os manifestantes tomassem o prédio. Os funcionários da embaixada ainda estavam do lado de dentro do edifício.
Os manifestantes atiraram pedras, ovos e frutas podres contra o edifício, quebrando janelas nos segundo e terceiro andares.
Eles então atiraram coquetéis molotov e puseram fogo em um painel de vidro no térreo, mas o incêndio foi logo contido pela polícia.
Posteriormente cerca de 400 manifestantes gritando "Morte à Dinamarca" se dirigiram à embaixada da Dinamarca, que também foi alvo de coquetéis molotov. O prédio já estava vazio no momento da chegada dos manifestantes.
A polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo e prendeu alguns manifestantes.
Além de responsabilizar o Irã pelo ataque, o governo da Dinamarca afirma que recebeu o apoio da maioria dos países ocidentais e o pior da crise já passou.
Os ânimos estão mais acirrados porque este é o período do ano mais sagrado para os muçulmanos xiitas, que relembram a morte do imã Hussein.
Os manifestantes pediram ao governo para fechar todas as embaixadas dos países onde as charges foram publicadas e para expulsar seus diplomatas do Irã.
Eles pediam ainda que as autoridades iranianas fechem todas as universidades e escolas religiosas por um período de luto nacional pela publicação das charges.
O protesto havia sido anunciado amplamente na TV estatal.