07 de fevereiro, 2006 - 00h01 GMT (22h01 Brasília)
O grupo radical palestino Hamas disse nesta segunda-feira que qualquer governo liderado pela organização deve cancelar os acordos feitos pela administração anterior.
Um importante líder do Hamas, Moussa Abu Marzouk, disse que o partido, vencedor das eleições parlamentares palestinas no mês passado, deve rever todos os acordos passados.
Ele disse ainda que o futuro governo liderado pelo Hamas poderá não respeitar os acordos se, como ele colocou, esses acordos não ajudarem o povo palestino.
O Hamas está sob pressão de potências ocidentais e do governo israelense, que consideram o grupo como uma organização terrorista, para renunciar à violência e reconhecer a existência de Israel.
Novo governo
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que pedirá ao Hamas para formar o novo governo após a vitória do grupo nas eleições.
Mas ele também pediu ao grupo para respeitar os acordos passados, incluindo o plano de paz para o Oriente Médio conhecido como “road-map”, ou mapa da paz.
Líderes do Hamas estão discutindo no Cairo a formação do novo governo palestino. A reunião acontece no Egito para permitir a participação de líderes do grupo no exílio.
O novo parlamento palestino deve tomar posse no próximo dia 16 de fevereiro.
Israel
O governo de Israel disse nesta segunda-feira que somente trabalhará com Abbas enquanto ele não estiver cooperando com o Hamas.
O primeiro-ministro em exercício de Israel, Ehud Olmert, disse que a cooperação com Abbas também depende de o governo palestino não ser liderado pelo Hamas.
“Não tenho interesse em prejudicar o presidente da Autoridade Palestina, Abu Mazen (apelido pelo qual Abbas é conhecido entre os palestinos), contanto que ele não coopere com o Hamas e contanto que o governo palestino não seja liderado pelo Hamas”, disse Olmert durante uma conferência econômica.
Olmert afirmou ainda que Israel continuará transferindo fundos de taxas e impostos coletados para a Autoridade Palestina enquanto o Hamas não estiver no governo.
O Hamas é responsável por um grande número de atentados suicidas contra civis israelenses e defende em seu estatuto a destruição de Israel.