06 de fevereiro, 2006 - 09h18 GMT (07h18 Brasília)
Centenas de parentes de pessoas que desapareceram após o naufrágio do navio Al-Salam Boccaccio 98 depredaram os escritórios da empresa proprietária da embarcação no porto de Safaga, no Egito, nesta segunda-feira.
A multidão invadiu as instalações da El-Salaam Maritime, atirou móveis pela janela e ateou fogo em um grande painel com a imagem de um navio, antes de ser contida pela tropa de choque, que usou gás lacrimogêneo.
Cerca de 800 pessoas estão desaparecidas depois do naufrágio. A frustração dos parentes com a falta de informações sobre o resgate levou a choques com a polícia egípcia também no sábado.
Cerca de 1,4 mil pessoas estavam a bordo do navio, que seguia de Duba, na Arábia Saudita, para o porto egípcio de Safaga, quando ele afundou após um incêndio na noite de quinta-feira.
A polícia disse que mais de 400 sobreviventes foram resgatados e 195 corpos recuperados.
'Demora'
A maioria dos passageiros era de egípcios que trabalhavam na Arábia Saudita. Havia ainda pessoas que retornavam de peregrinação a Meca.
A revolta dos parentes dos mortos e dos desaparecidos aumenta na medida em que surgem detalhes sobre o naufrágio, disse o repórter da BBC em Safaga, Ian Pannell.
Há notícia de que a missão de resgate só foi iniciada várias horas depois que o navio afundou.
E a tripulação é acusada de ignorar advertências para evacuar a embarcação depois que foi constatado um incêndio a bordo.
Um sobrevivente disse que o sistema de alarme não estava funcionando. Outros afirmam que não havia botes salva-vidas e bóias suficientes para todos os passageiros.