06 de fevereiro, 2006 - 15h59 GMT (13h59 Brasília)
As elites de Camarões foram abaladas pela publicação em jornais sensacionalistas dos nomes de mais de 50 pessoas importantes do país que seriam homossexuais.
Entre os incluídos na lista está o ministro das Comunicações, Pierre Moukoko Mbonjo, que ameaçou entrar com processo contra os jornais e disse que a sexualidade é um assunto privado.
O homossexualismo é crime em Camarões, assim como em muitos outros países africanos, e os culpados podem ser condenados a até cinco anos de prisão.
Os editores dos jornais L'Anedocte e La Meteo dizem estar em campanha para expor pessoas que se engajam no que eles chamam de "comportamento depravado".
'Impensável'
"Homem fazendo amor com outro homem... é sujo. Pode ser normal no ocidente, mas na África, em Camarões particularmente, isso é impensável", disse à agência Reuters Jean Pierre Amougou Belinga, editor do jornal L'Anedocte.
Na lista dos jornais estão cantores, astros do esporte, apresentadores de rádio e autoridades.
Durante o Natal, Victor Tonye Bakot, bispo católico em Camarões, fez uma dura denúncia contra o homessexualismo, criticando a União Européia por lhe dar "legitimidade".
A crença tradicional no país é que os homossexuais são pessoas que estariam "amaldiçoadas ou enfeitiçadas".