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05 de fevereiro, 2006 - 17h51 GMT (15h51 Brasília)

Israel descongela repasses a palestinos

O gabinete do governo israelense decidiu neste domingo retomar os repasses de impostos e taxas alfandegárias coletadas para a Autoridade Nacional Palestina.

Os repasses haviam sido interrompidos na semana passada, após a vitória da organização radical islâmica Hamas nas eleições parlamentares palestinas.

Israel considera o Hamas uma organização terrorista. O secretário de Governo israelense, Zeev Boim, disse que o gabinete decidiu fazer os pagamentos relativos a janeiro, que somam US$ 45 milhões, porque o Hamas ainda não assumiu um papel no governo palestino.

Segundo Boim, os pagamentos podem ser interrompidos novamente se o Hamas fizer parte do governo palestino.

Corrupção

Também neste domingo, o procurador-geral palestino Ahmed Al-Moghanu afirmou que centenas de milhares de dólares de dinheiro público foram roubados nos últimos anos. Ele alertou que a quantia poderia chegar a bilhões.

Al-Moghanu disse que está investigando cerca de 50 casos de possível corrupção. Vinte e cinco palestinos foram presos, e o procurador-geral emitiu mandado de prisão para dez outros que conseguiram fugir.

Segundo analistas, a promessa de terminar com a crescente corrupção entre autoridades palestinas foi um dos principais fatores para o sucesso do Hamas nas eleições de janeiro.

Novo governo

Líderes do Hamas devem discutir a partir desta segunda-feira no Cairo, no Egito, a formação do novo governo palestino.

A reunião foi marcada para o Egito para permitir a participação também de lideranças do grupo no exílio.

No sábado representantes do Hamas se reuniram com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e concordaram que o novo parlamento deve tomar posse no dia 16 de fevereiro.

Governos ocidentais advertiram o Hamas de que o grupo terá de renunciar à violência e reconhecer Israel se quiser que seu futuro governo continue recebendo ajuda financeira internacional.