05 de fevereiro, 2006 - 19h43 GMT (17h43 Brasília)
Centenas de familiares de pessoas que ainda estão desaparecidas desde o naufrágio do navio Salam 98 no Mar Vermelho começaram o trabalho de identificação de corpos que foram levados à capital do Egito, Cairo.
Cerca de 400 pessoas foram resgatadas com vida do mar, mas até 800 ainda estão desaparecidas depois do acidente de sexta-feira. Segundo a polícia, 195 corpos já foram encontrados.
Neste domingo, mais sobreviventes foram tirados do Mar Vermelho, incluindo um garoto de 5 anos.
No porto de Safaga, uma lista com os primeiros 30 corpos identificados foi lida, e soldados entregaram para os presentes fotografias de vítimas com o objetivo de identificá-las.
Angústia
Ainda assim, muitos familiares - que se diziam frustrados com a falta de informação - entraram em confronto com policiais que guardavam as instalações portuárias.
O correspondente da BBC Ian Pannell afirmou que foi cercado por familiares com fotografias nas mãos e que imploravam por informações.
Muitos culpavam autoridades egípcias, incluindo o presidente Hosni Mubarak, pela situação.
"Fora ministro do Interior, fora Mubarak", diziam eles.
"Se não têm os corpos, pelo menos nos dêem atestados de óbito e nos deixem ir. Vocês têm nos torturado por dias", disse Heshmat Mohammed Hassan, que ainda não tem informações de seu irmão, que estava na embarcação que afundou quando fazia a travessia entre Duba, na Arábia Saudita, e o porto de Safaga.
A oferta do governo egípcio de US$ 5 mil para cada família não apaziguou os ânimos.
"É isso o que a vida de um egípcio vale?", perguntava um homem no porto.
A revolta dos familiares aumentou conforme detalhes sobre a tragédia foram sendo revelados.
Segundo Pannell, correspondente da BBC, a operação de resgate foi enviada ao local horas depois que o navio havia afundado.
A tripulação também é acusada pelos sobreviventes de ter ignorado avisos de que era necessário evacuar a embarcação depois que um incêndio começou a bordo.
Um sobrevivente disse à BBC que o sistema de alarme não estava funcionando. Outros dizem que não havia salva-vidas suficientes para todos os passageiros.
O fogo teria começado assim que o navio deixou o porto de Duba na noite de quinta-feira.
A maioria dos passageiros era de egípcios que trabalhavam na Arábia Saudita.