04 de fevereiro, 2006 - 21h20 GMT (19h20 Brasília)
Um líder do Hamas afirmou neste sábado que representantes do grupo radical islâmico chegaram a um acordo com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para que o novo parlamento se reúna no dia 16 de fevereiro.
A afirmação foi feita por Ismail Haniya, que encabeçou a lista de candidatos do Hamas na eleição e é cotado para assumir o cargo de primeiro-ministro, após o primeiro encontro de Abbas com o Hamas desde que o grupo saiu vitorioso nas eleições parlamentares de janeiro.
Na sexta-feira, Abbas havia dito que o primeiro passo seria inaugurar as sessões parlamentares, para depois discutir a formação do novo governo.
Abbas também pediria à nova administração que respeite os acordos já negociados pela Autoridade Nacional Palestina, particularmente o processo de paz com Israel.
O Hamas já afirmou querer formar um governo de união nacional, com participação de membros do partido derrotado, Fatah, liderado por Abbas.
Mas alguns líderes do Fatah argumentam que o Hamas deveria ser deixado para governar sem alianças e enfrentar as dificuldades da administração sozinho.
Renuncia à violência
O Conselho de Segurança das Nações Unidas se juntou aos Estados Unidos, à União Européia e ao Egito nos pedidos para que o Hamas renuncie à violência e reconheça o Estado de Israel.
Mas o líder político do Hamas, Khaled Meshaal, disse novamente que o movimento islâmico nunca reconhecerá Israel, apesar das ameaças dos Estados Unidos e da União Européia de cortar seus financiamentos à Autoridade Nacional Palestina.
"Nunca reconheceremos a legitimidade do Estado sionista que foi estabelecido na nossa terra", disse ele em sua coluna no jornal Al-Hayat Al-Jadida.
"Nossa mensagem aos Estados Unidos e à Europa é que as suas tentativas de nos fazer abandonar nossos princípios e nossa luta serão perdidas e não conseguirão resultados", disse ele.
Meshaal disse, porém, que o Hamas poderia oferecer um cessar-fogo a Israel.
"Se vocês estão dispostos a aceitar o princípio de uma trégua de longo prazo, então estaremos prontos a negociar com vocês as condições para tal trégua", disse.
O governo israelense se recusa a negociar com qualquer governo formado pelo Hamas, a não ser que o grupo reconheça Israel e abandone a violência e o que Israel chama de sua "infra-estrutura terrorista".
"Qualquer coisa diferente disso simplesmente manterá a atual situação, na qual a absoluta maioria da comunidade de nações considera o Hamas uma organização terrorista e, como tal, ilegítima como interlocutora para negociação política", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel.