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04 de fevereiro, 2006 - 14h27 GMT (12h27 Brasília)

Tumulto em estádio mata pelo menos 73 nas Filipinas

Um tumulto do lado de fora um estádio na capital das Filipinas, Manila, deixou pelo menos 73 pessoas mortas, a maioria mulheres, e outras 300 pessoas feridas.

Dezenas de milhares de pessoas foram ao estádio para o primeiro aniversário da gravação de um programa de televisão muito popular no país. Muitos estavam acampados há dias no local para conseguir ingressos.

O tumulto teria começado por boatos de uma bomba escondida no meio da multidão.

Corpos cobertos com lençóis foram colocados do lado de fora do estádio e isolados pela polícia.

Muitas das vítimas eram idosas, segundo informações da polícia.

O programa de jogos, chamado Wowowee, oferece grandes prêmios em dinheiro e é um dos mais populares do horário diurno na televisão das Filipinas, segundo a correspondente da BBC em Manila, Sarah Toms.

Ajuda

"Este é um programa que quer ajudar os filipinos, especialmente os mais pobres. Apenas queríamos deixar as pessoas felizes", disse o apresentador Willie Revillame.

O número de mortos inicialmente divulgado, 88 pessoas, foi revisado pela polícia, que disse que alguns corpos foram contados duas vezes devido à confusão.

Cerca de 30 mil pessoas estavam esperando para entrar no estádio Ultra, no bairro de Pasig, em Manila, mais do que as 5 mil pessoas que geralmente comparecem às gravações do programa. Era a primeira vez que o programa era gravado no estádio.

Testemunhas afirmaram que, além dos boatos de bomba no estádio, o tumulto começou quando guardas se recusaram a abrir os portões do local.

O vice-presidente filipino Noli de Castro visitou o estádio.

"Não queríamos que isso acontecesse. Mas tantas pessoas queriam assistir Wowowee por causa dos grandes prêmios que poderiam ganhar", disse.

Merquieades Salazar, 45 anos, chorou sobre o corpo de sua mulher. O casal, ambos desempregados, queria participar de uma das competições do programa.

"No desejo de ganhar dinheiro eu a perdi", disse.

O apresentador Willie Revillame disse que o programa vai continuar para fornecer informações para os feridos e seus familiares.

Mas a polícia disse que o programa deveria ser cancelado. "O programa deve ser cancelado para que as pessoas voltem a suas casas", disse o chefe da polícia de Manila, Vidal Querol.